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05 maio 2008

Einstürzende Neubauten: Trabalhos oficinais

A oficina dos Einstürzende Neubauten assentou no palco da Aula Magna para mais uma demonstração da conjugação sonora entre o caos e o silêncio guiada pelo mestre Blixa Bargeld. Alinhamento à volta dos discos mais recentes da banda alemã que continua a corresponder a todas as expectativas dos seus fãs portugueses. Resultado? Mais um excelente concerto dos Neubauten por cá.

Uma visita dos Einstürzende Neubauten a Lisboa, na véspera tinham actuado na esgotada Casa da Música no Porto, é sempre motivo de atracção para as diferentes gerações que acompanham a carreira da banda de Berlim desde 1980. Esta noite a Aula Magna não esgotou mas registou a presença da plateia mais esclarecida e respeitosa de que nos lembramos de ver. O respeitinho é muito bonito e Blixa Bargeld impõe-o com a sua forte presença nos comandos da oficina electromecânica.
Os Neubauten apresentaram as suas composições mais recentes com natural incidência para Alles Wieder Offen.

Já se sabe que um concerto actual da banda já não tem o caos ruidoso de outros tempos, agora há um equilíbrio bem montado entre esboços de canções, murmúrios, guinchos, ou poderosas explosões industriais que caracterizam os Neubauten.
Talvez seja o caminho mais óbvio para a ilustração destas palavras, mas o melhor exemplo a dar é a fabulosa interpretação do surpreendente «Let's do it a Dada» do último disco editado que absorve em si um pouco de todas as componentes ao vivo do grupo.

Em palco só se sente tensão nos momentos mais ruidosos quando a banda entra em ebulição fazendo uso de todos os materiais dispostos em palco. No intervalo da música os Einstürzende Neubauten mostram-se acessíveis, bem humorados, e completamente descontraídos, apenas concentrados na missão de interpretar as suas composições na perfeição, o que nem sempre aconteceu como se percebeu por alturas de «Weil Weil Weil». Blix aproveitou mesmo para ir explicando ao longo da noite os processos de criação da banda suportados financeiramente pelos seus fãs que são compensados com acesso prioritário a discos, e outros bónus. Além de ter anunciado que o concerto estava a ser gravado em dois cds que seriam vendidos logo após a actuação, tal como já tinha acontecido na passagem pelo CCB há poucos anos.

Para o fim ficou um momento teatral em que resolvem pôr em prática um jogo com o objectivo de criar nova música. Um momento de improviso guiado por tarefas individuais tiradas à sorte de um saco preto com o logo da banda. Depois cada elemento tratou de interpretar a sua tarefa resultando numa peça musical de difícil explicação mas muito aplaudida. Ainda se seguiu a explicação individual de cada músico para o que tínhamos acabado de assistir. Com muito humor à mistura, e com sinceros agradecimentos, e elogios, da banda ao público. Desta vez totalmente merecidos, e justificados.

Einstürzende Neubauten - O Concerto da Aula Magna em Dois Discos


Aqui está a gravação do concerto desta noite dos Einstürzende Neubauten na Aula Magna:

Alles Wieder Offen (2008) Tour ( disco 1 )

Alles Wieder Offen (2008) Tour ( disco 2 )

30 abril 2008

José Gonzalez @ Aula Magna

Concerto bem simpático de ontem à noite na Aula Magna com José Gonzalez a arrastar muito público para assistir ao concerto.
Tudo contado pelo companheiro João Moço:
José González na Aula Magna: Num prado sueco

22 abril 2008

Nick Cave no Coliseu: Um brilhante fucking disaster


(foto: Rita Carmo, in Blitz)

Um Coliseu completamente esgotado recebeu, acarinhou e rejubilou com o regresso de uma das figuras mais queridas e míticas do rock. Nick Cave e os Bad Seeds deram o pontapé de saída da nova digressão em ambiente de grande descontracção, com o vocalista bem disposto e motivado para um concerto de 2h e meia de duração, e um desfile de mais de duas dezenas de canções.

A meio do concerto recebo um sms de uma amiga perdida no meio da enchente do Coliseu que dizia "Este psicopata é brilhante.". Partilho esta intimidade porque foi uma frase que me acompanhou no resto do concerto. A figura de Cave inspira mesmo a comentários destes, toda aquela sua teatralidade expressa em gestos com os braços, curvando o corpo em danças descoordenadas, os diálogos irónicos com a plateia, os recados, e dedicatórias para os camarotes ao lado do palco, tudo somado faz dele uma enorme figura rock n' roll da velha escola.

Nick Cave enche o palco com a sua presença, até aquele bigode lhe assenta bem, embora o espaço esteja bem preenchido com os músicos Bad Seeds os olhares centram-se nos movimentos do homem, às vezes Warren Ellis com a sua imponente barba também brilha, e quando tudo arrancou ao som «Night of the Lotus Eaters» deu logo para ver que íamos ter mais uma noite de celebração.

As duas horas e meia foram naturalmente preenchidas na sua maioria pelos temas do novo disco «Dig, Lazarus, Dig!!!» já bem assimilados pelos fãs, com um aparato luminoso e visual bem ao estilo do grafismo do álbum.
Apesar da adesão às novas canções é claro que foi quando Nick Cave fez incursões pelo seu passado discográfico que as emoções andaram mais á solta pelo Coliseu. Foi ver o povo a cantar clássicos como «Papa Won’t Leave You», «Tupelo», «Deanna», «The Ship Song», «Henry», ou «Stagger Lee», em comunhão com o seu líder, e a marcarem com emoção mais este regresso a Portugal.

Há que dizer que a entrega da banda foi irrepreensível, e por ser a noite de estreia desta digressão desculpam-se as várias falhas, e alguma descoordenação entre as músicas, e nos seus arranques. Aliás, Cave foi o primeiro a reconhecer que nem tudo estava a correr bem chegando a apelidar a prestação como um "fucking disaster". E mais à frente com mais uma falso arranque da banda ainda atirou aos companheiros um "you fucking idiots".
Exageros à parte o carisma do homem tudo resolve, e depois de um alinhamento de 16 canções houve tempo, e vontade, para um encore de cinco temas, e um outro final com mais três. Destaque nesta parte final para a versão de uma canção que Bob Dylan fez para Johnny Cash, para o intimo «Into My Arms», «Albert Goes West» que Cave estava na dúvida se tinha sido escrita por Bobby Gillespie dos Primal Scream, ou Jarvis Cocker, e a noite encerrou com «Nobody’s Baby Now».
Mais de que um concerto, a celebração ao vivo com uma enorme figura.
Hoje é a vez do Porto.

in disco digital

Nick Cave & Bad Seeds no Coliseu de Lisboa: O Alinhamento

1. Night of the Lotus Eaters
2. Today’s Lession
3. Red Right Hand
4. Dig, Lazarus, Dig!!!
5. Tupelo
6. Moonland
7. Deanna
8. The Ship Song
9. Jesus of the Moon
10. Lie Down Here (& Be My Girl)
11. I Let Love In
12. Papa Won’t Leave You, Henry
13. Midnight Man
14. More News From Nowhere
15. Get Ready For Love
16. Stagger Lee

ENCORE 1

17. The Lyre of Orpheus
18. Wanted Man
19. Your Funeral My Trial
20. Straight To You
21. Into My Arms

ENCORE 2

22. We Call Upon The Author
23. Albert Goes West
24. Nobody’s Baby Now

19 abril 2008

A Naifa @ Teatro Maria Matos: Uma inocente inclinação para a perfeição

A Naifa faz parte da solução de respostas à preocupação sobre como defender as nossas raízes musicais modernizando-as, e empolgando um público exigente.
Ao fim de três discos já não é possível ignorar o conceito de música que A Naifa propõe, não se pode passar ao lado de uma combinação tão perfeita entre a guitarra portuguesa, uma linda voz feminina, e canções de corpo e alma. Lisboa rendeu-se a uma música que tem muito do seu fado, e A Naifa triunfou a toda a linha nesta primeira noite de apresentação do seu novo disco no Teatro Maria Matos.

Quem os viu a dar os primeiros tímidos passos há quatro anos carregando «Canções Subterrâneas» não pode evitar um sorriso aprovador ao constatar a força que a vocalista Mitó ganhou em palco. Agora toda ela é projecção de voz, e alma, as canções ganham uma cor viva apresentadas ao vivo.
O prazer que dá ver Luís Varatojo a dominar a guitarra portuguesa, e especialmente, João Aguardela todo expansivo acompanhando tudo na perfeição com o seu baixo, só é comparável à simplicidade com a música de A Naifa nos invade o cérebro, e nos reaviva a memória de outros tempos em que o fado era uma marca deste país.

Os novos temas de «Uma inocente inclinação para o mal» soam muito bem ao vivo. O facto de serem agora assinadas por uma só autora dá uma maior interligação entre elas, e na verdade todas as novas canções convivem muito bem com as mais antigas do disco de estreia do «3 minutos antes de a maré encher».
Está aqui um projecto sólido, já bem oleado em palco, bem representativo da música portuguesa cantada em português, actual, e com marcada identidade lusa que as cordas da guitarra portuguesa ajudam a expressar.

Muito mérito para A Naifa que encheu o Teatro Maria Matos mostrando a sua cortante força, e confirmando-se como grupo que merece todos os elogios pelo excelente trabalho que tem vindo a fazer, tanto nos discos, como nos palcos por esse país fora onde tem finalizado as suas actuações com uma bela versão de "A Desfolhada".
A não perder de vista brevemente em Sesimbra, e Portalegre. Hoje segunda noite na capital.

18 abril 2008

Gilberto Gil no Coliseu : Uma Aula Cantada

Um privilégio poder estar num Coliseu de Lisboa como se fosse uma enorme sala de aula a contemplar um sábio mestre ali sozinho em palco com o seu violão pronto para nos dar uma lição sobre a cultura da música popular brasileira, os seus estilos, e derivados. O sistema de ensino foi muito simples uma introdução falada, e depois o exemplo cantado, e tocado. Sempre assim a noite fora, para uma plateia que não esgotou a sala, mas representava bem os fãs portugueses, os saudosos brasileiros, e nem faltou o ministro da cultura. O nosso, claro, bem discreto a contrastar com a luminosidade do seu homólogo brasileiro.

O pretexto é o disco intimista «Luminoso», lançado em 2006, que Gilberto tem andado a apresentar pelo mundo fora. Agora na Europa não podia falhar a visita a Portugal. Hoje foi o Coliseu de Lisboa, segue-se o do Porto e Serpa.
O conceito é o mais simples possível, Gil sentado sozinho a tocar violão e a desfilar clássicos da sua carreira.
Depois o concerto cresce e junta-se em palco o filho Ben, que o acompanha na viola acústica, e podemos ser surpreendidos por versões de «I'm 64» dos Beatles, ou de temas de Bob Marley a fazer lembrar a revisitação do brasileiro ao mundo de Bob no disco «Kaya».

Gilberto Gil é ministro da cultura do Brasil, e é um homem do mundo que divulga a sua cultura com uma paixão, e sabedoria fascinantes. Ele aproveita o ambiente intimista para apostar no formato diálogo-canção-diálogo. Cada diálogo é uma explicação para o que vamos ouvir, sendo que há uma altura em que viajamos por diferentes tipos de Samba. Por exemplo, o samba Rock, o aamba de breque, o samba canção, a bossa nova, e para cada explicação sobre o derivado vinha uma canção a ilustrar. O mesmo fez para ilustrar o Baião, outro estilo brasileiro, altura em que aproveitou para homenagear Luiz Gonzaga, o chamado Rei do Baião da década de 1940. Para trás já tinham ficado referências a lendas como João Gilberto, António Carlos Jobim, ou Caetano Veloso.

Neste ambiente ouviram-se versões acústicas de clássicos da música popular brasileira como «Exotérico», «Super-Homem», «Metáfora», «Expresso 2222», «Maracatu Atômico» e «Aquele Abraço», entre outras. Também houve espaço para espreitar o futuro em «Despedida de Solteira», canção em estilo xote que faz parte do novo disco a ser lançada em julho, e apresentar mais uma canção dedicada à sua companheira, Flora, de título «Faca e Queijo».

Uma autêntica aula sobre música, e cultura brasileira, a justificar plenamente «Aquele abraço».

06 abril 2008

Andersen Molière @ Teatro Mundial


Andersen Molière é um estranho nome para identificar um projecto de jovens músicos portugueses. Estranho mas inteligente, e que faz sentido depois de os vermos a actuar ao vivo. Uma agradável surpresa, uma promessa original, e uma sensação de termos descobertos um segredo valioso bem guardado, é o rescaldo que se pode fazer após a apresentação no sábado à noite dos Andersen Molière na sla 3 do Teatro Mundial em Lisboa.

O quinteto entra timidamente discreto, e ocupa o palco de maneira curiosa. Quando iluminados percebe-se o cuidado nos trajes que envergam. Impecavelmente vestidos com roupas de outras eras tomam os seus lugares cuidadosamente preparados. Os dois homens das violas, e vocalistas, sentam-se nas duas extremidades do palco virados para dentro. No meio há um sofá onde brilha a acordeonista que dá um encanto feminino ao grupo. Ao seu lado esquerdo senta-se no braço do sofá o baixista, o mais discreto, e do lado direito está o irrequieto, e excelente, violinista que é capaz de arrancar do palco para o meio da plateia, literalmente, embalado nos seus próprios acordes.
O quadro é este. Como se pode imaginar bem original.
Depois vem a música que consegue cativar e surpreender ao mesmo tempo. Há canções cantadas em português com letras que justificam a saudável exporação da filosofia bem humorada, e há instrumentais que chegam a atingir níveis verdadeiramente entusiasmantes capazes de empolgar toda uma sala. O destaque vai para as versões exploradas de Astor Piazzolla, ou de Enio Morricone, onde o acordeão solta o talento de todos os músicos. O que acontece na perfeição no tema original do grupo o "Bobo e Rei", quando parte a instrumental ganha asas.

Há aqui boas ideias, bons músicos, talento, e um conceito interessante e original com pernas para andar. É de manter os Andersen Molière debaixo de olho, e ver como evoluem. Para confirmar já no próximo mês no Santiago Alquimista.

05 abril 2008

Mark Knopfler @ Campo Pequeno

Mark Knopfler a caminho dos 60 anos é um homem tranquilo, feliz, que vive a fazer, e tocar música pelo mundo fora convivendo com os seus fãs que entretanto continuam a encher os recintos por onde ele passa mas já não estão lá só pelo legado dos Dire Straits. Os admiradores de Knopfler conhecem os seus trabalhos a solo, e sabem que ver hoje um concerto dele é sentir os sons dos velhos ambientes entre a folk americana, e celta, é ter o privilégio de ver enormes músicos em palco que se movem entre o blues rock, a country, guiados pela guitarra de Knopfler.

Vale a pena escrever os nomes dos músicos que acompanham Mark; Guy Fletcher, teclas, Richard Bennett, guitarra, Glenn Worf no baixo, Danny Cummings na bateria, Matt Rollins no piano, e John McCusker nos sopros e violinos. Só por si são garantia de uma qualidade musical impressionante, e para os mais atentos reparam que há aqui três Dire Straits em palco, Knopfler, Fletcher, e Clark.

Concerto é longo, quase 3 horas, e centra-se em boa parte dos discos mais recentes de Knopfler. O alinhamento é coerente, mas deixa os fãs mais actuais algo decepcionados pela ausência de temas como "Punish The Monkey", ou "Let it All Go", os melhores de Kill to get Crimson de onde só são apresentados "True Love Will Never Fade", e "The Fish and the Bird". Depois há passagens por "Shangri la", com dois momentos altos em "Boom Like That", e " Postcards from Paraguay", por "The Ragpicker's Dream", com "Why Aye Man", "Hill Farmer's Blues", e "Marbletown", e o já habitual "Sailng to Philadelphia".

É uma aposta clara numa toada mais calma, e as canções reflectem esse estado de alma. As cerca de 7 mil pessoas que esgotaram o Campo Pequeno tiveram oportunidade de assistir a um concerto de grande qualidade, e Mark Knopfler sabe que a sua carreira tem como base os clássicos discos que assinou com os Dire Straits e mostra todo o seu respeito por quem paga para o ver em 2008 interpretando os incontornáveis "Romeo & Juliet", "Sultans of Swing", "Telegraph Road", "Brothers in Arms", e "So Far Away".
Todas em novas roupagens, menos densas, sempre contidas. A excepção vai para "Telegraph Road" que começa por se desenvolver timidamente, mas que vai subindo de forma sublime para uma recta final a fazer sonhar a plateia com as lendárias actuações dos Straits nos anos 80, tão bem documentadas no famoso "Alchemy".

Depois de Alvalade,e Faro em 1992, Cascais em 1996, e mais recentemente com duas passagens pelo Atlântico, Mark Knopfler voltou a encantar uma plateia cheia de fãs que ainda hoje o admiram e aprovam a orientação da sua carreira mais virada para as raízes da cultura musica americana. Esperemo que um dia Mark se lembre de trazer consigo Emmylou Harris.

Mark Knopfler @ Campo Pequeno: Fotos







Mark Knopfler @ Campo Pequeno: Alinhamento

Cannibals
Why Aye Man
What it is
Sailing to philadelphia
True love will never fade
The Fish And The Bird
Hill farmer's blues
Romeo & Juliet
Sultans of swing
Marbletown
Daddy's gone to knoxville
Postcards from Paraguay
Speedway at nazareth
Telegraph road

Encores:
Brothers in arms
Our shangri-la
So far away
Going home

04 abril 2008

Rádio Macau @ Maxime

Noite quente na baixa lisboeta, o verão no início de Abril. Ambiente ainda mais quente dentro do Maxime com muita gente a receber de braços abertos o novo disco dos Rádio Macau. Um concerto que mostra um agrupamento histórico da música portuguesa em muito boa forma com canções consistentes a formarem um álbum muito interessante. Chama-se "8" e tem o selo de qualidade à altura da carreira dos Rádio Macau.
Funcionou bem ao vivo, e como bónus houve interpretações poderosas de "Anzol", e outro clássico da banda.
Os Rádio Macau estão vivos, de boa saúde e recomendam-se.

Rita Redshoes @ Fnac Chiado

Dez minutos antes da hora marcada já a sala de concertos da loja do Chiado estava repleta de gente à espera da nova menina bonita da nossa música.
Gosto do disco "Golden Era", mas ainda não tinha visto como se safava a cantora em palco. Logo pelo indicador de ver o espaço tão bem composto de público as expectativas aumentam.
Depois foi só confirmar que Rita Redshoes passa muito bem as suas canções para o registo ao vivo. E tem uma arma de peso que é o sorriso que a acompanha a maior parte do tempo em que está actuar. Está feliz, e transmite essa alegria para cada uma das pessoas da plateia. Canta com convicção, e está à vontade tanto com um viola, ou guitarra, nas mãos, como a acompanhar nos teclados.
Uma grande presença em palco, e um disco que é mesmo uma das melhores coisas da nossa música neste arranque de 2008.
Saí convencido, e satisfeito.

28 março 2008

O Respeito

Quando alguém se antecipa e escreve por outras palavras aquilo que me vai na alma. Acontece hoje com o meu caro amigo, e companheiro, Davide Pinheiro. Na mouche:

Acabo de chegar do concerto dos Portishead, um dos mais belos e preciosos que passou por Portugal nas últimas décadas. Ao contrário do que muitos comentários espalhados pelo mundo digital poderiam pressupor, as reacções às novas canções foram positivas…demasiado positivas.

Esta é música que vive de silêncios onde se ouve a respiração de cada som, cada movimento. Não houve qualquer respeito de um grupo relativamente alargado de fãs histéricos com falta de carinho em casa que passou o tempo a aplaudir antes de tempo e a mandar «boquinhas evitáveis».

Não houve respeito por aqueles que pagaram um bilhete caro e não conseguiram aproveitar na plenitude um momento único e irrepetível. E também não houve respeito por uma banda que é muito especial e que não escolheu o palco do Coliseu dos Recreios por acaso.

Cada vez que algum tema se aproximava do fim, parecia haver um confronto de hooligans a ver quem gritava mais. E não faltou o idiota «toca aquela» da praxe, como se o autor dessa boçalidade se sentisse no café. Um concerto não é uma sessão solene mas merece respeito.
in Disco Digital

Portishead @ Coliseu de Lisboa: O Alinhamento


(Foto: Rita Carmo)

27 março 2008

Portishead no Porto: Um regresso desejado a ser digerido

A minha companheira do Disco Digital, Joana Brandão, relata como foi a noite de ontem dos Portishead no Porto.
Uma introdução ao que poderemos ver logo à noite no Coliseu de Lisboa.
Para ler em: Um regresso desejado a ser digerido

22 março 2008

Racine: O Passado Foi Lá Atrás



Wendy James regressou aos concertos em Portugal quase duas décadas depois da explosiva passagem dos Transvision Vamp por cá. Algumas dezenas de fãs dessa altura quiseram ver como está a louríssima vocalista aos 42 anos e estiveram no MusicBox para ver e ouvir os Racine. Wendy continua convincente em palco, simpática, mas a demonstrar que os tempos dos Transvision Vamp estão já bem longe e são totalmente ignorados num alinhamento 100% Racine traído pela falta de voz de Wendy.

Entre o público presente na sala do MusicBox, que até apresentou plateia numerosamente digna tendo em conta que lá fora a noite lisboeta registava uma quase total ausência de animação nas ruas, estavam muitos trintões recordados da banda que projectou Wendy James nos finais da década de 80. A esperança de se recordar alguma das canções de «Pop Art», ou «Velveteen», caiu rapidamente por terra com o avançar do concerto.

Os Racine em palco são quatro jovens rapazes, baixo, guitarra, baterista, e teclista, a acompanharem a personagem principal.
Wendy assume as rédeas do evento e apresenta-se de calças de ganga justas, e t-shirt branca com a sua caricatura desenhada, e a frase Every Song Is Dope, que pode ser comprada no site oficial da banda. Uma vezes a tocar guitarras, outras só com microfone, atira-se às canções dos discos Racine onde se destaca o acompanhamento das teclas.
Não faltaram os temas «Way», «I'm Freaking Out», ou «Bitter Funny», e as poses da vocalista são facilmente reconhecidas pela memória colectiva. O maior problema mesmo foi a voz que começou rouca, para uma hora depois chegar mesmo a falhar, facto pelo qual pediu desculpa.

A parte sentimental obriga o escriba a confessar que se sentiu recompensado pelo facto de ter estado tão perto do palco ao ver Wendy olhar directamente para ele para perguntar a diferença entre um obrigado em português e espanhol. E na parte final novo olhar com um sorriso a acompanhar para perguntar se o "Obrigado" dela estava aprovado. É aquele momento que todos desejamos ter para recordar.
A parte racional obriga a dizer que o concerto nunca passou do morno, não chegou para incendiar a sala, a duração foi muita curta (nem chegou a uma hora), e a falha da voz de Wendy não ajudou.
Deu para matar saudades dos tempos de adolescência e ver que a senhora Wendy James está em boa forma (apesar de magrinha) e que o projecto Racine tem pernas para andar.

in Disco Digital

O Regresso de Wendy James: Ao Vivo no Musicbox - Vídeo

20 março 2008

Alicia Keys - Como Cresceu a Pianista!


(Foto: Rita Carmo in blitz)

Em pleno dia do pai muitos foram os progenitores que não contaram com a companhia das filhas para o jantar, isto a julgar pela quantidade de jovens adolescentes, esmagadora maioria feminina, que esgotaram o Atlântico para receberem Alicia Keys em versão revista, aumentada, e com um espectáculo de encher as medidas. À grande, à americana, ao melhor estilo hollywood adaptado ao moderno visual MTV. Cerca de três dezenas de canções para quase duas horas de um concerto arrebatador.

Há quatro anos no Parque da Bela Vista perante uma multidão Alicia Keys apresentou discretamente as canções dos seus primeiros discos sem se separar do seu piano. O concerto foi demasiado intimo para um palco preparado para estrelas à escala mundial como era o caso de Sting que era o cabeça de cartaz dessa noite.
A menina cresceu, e o seu espectáculo ao vivo ganhou dimensões do tal nível de escala mundial!

Alicia Augello Cook adoptou o nome artístico Keys pela sua ligação aos teclados. Mas essa ligação já foi mais umbilical do que é actualmente. Apesar do piano ser presença assídua em palco, Alicia assumiu uma fuga para a frente do palco e agora é possível vê-la a dançar envolvida em coreografias com os seus excelentes bailarinos aproximando-se de um conceito de concerto mais caro a artistas como Beyoncé.
É surpreendente para quem estava habituado a ver Alicia só sentada ao piano.

O concerto vive destes dois mundos. Por um lado o ambiente mais intimista quando Alicia está ao piano, e onde a banda que a acompanha passa a ter papel secundário apenas acompanhando discretamente uma sucessão de temas como «Sure Looks Good To Me», «How Come You Don't Call», «Butterflies», ou «Goodbye». Esta toada acaba por entrar um pouco na lamechice quando se dedica «Prelude To A Kiss» às crianças pobres do mundo. O público aplaude.
Depois «Superwoman»,e «Need You», dão oportunidade a Alicia ir falando da história da sua vida, sempre com imagens a condizer nos enormes ecrans que servem de cenário ao palco. O dueto com Jermaine Paul surpreende pela qualidade do vocalista evidente da dupla interpretação de «Diary» e «Tender Love».
Aqui importa explicar que Alicia esta acompanhada de excelentes vozes nos coros, extraordinários bailarinos, e grandes músicos. Tudo personagens de um autêntico musical cheio de cor, luz, e efeitos visuais grandiosos num palco digno das mega produções que já raramente se vêm em concertos pop.

Alicia Keys é, e assume-se bem, como personagem principal deste grande espectáculo calculado ao pormenor, bem ensaiado, e pensado ao segundo. Basta comparar o alinhamento da noite lisboeta com o de Madrid, última paragem antes de Portugal, para se perceber que não espaço para grandes improvisações, repetindo-se a sequência dos temas.
Alicia Keys já não é só uma menina do piano, agora é também uma vocalista cheia de genica. Na parte final foi possível ver bem as duas facetas em momento seguidos. Tocou o êxito antigo «Fallin'» com toda a alma que a sua voz bem negra evoca, para depois explodir, e deixar o Pavilhão em loucura, na interpretação do mais recente "hit" «No One». E esteve muito bem nos dois papéis oferecendo um grande concerto de encher os olhos.

Na primeira parte tivemos uma estranha aparição de Patrice. Ele que está acostumado a grandes plateias portuguesas, desta vez não tocou mais de meia hora, com as luzes da sala acesas (!) e só com "Soulstorm" teve a recepção habitual para depois se despedir.
Soulstorm é capaz de ser a palavra que melhor define esta noite