Sempre gostei muito dos Shivaree. Acho os discos deles bons, muito além do hit Goodnight Moon, e a vocalista em palco transpira sensualidade e encanto, como já tive oportunidade de ver algumas vezes em Lisboa. Por tudo isto fico muito contente com novidades vindas dos Shivaree. No fim do mês é editado "Tainted Love: Mating Calls and Fight Songs", disco composto por 11 versões de gente respeitável como R Kelly, Mötley Crüe, Phil Spector, Michael Jackson e outros. No site oficial da banda podemos encontrar uma prosa assinada por Ambrosia sobre este novo disco: "Fact is, I got knocked up, and there's something about having regular occasions to slip into a paper gown that makes a girl feel extra naughty...and who better to play doctor with than Ike Turner, Gary Glitter & David Allen Coe?? "
O guitarrista dos Xutos & Pontapés é uma das poucas figuras Rock n'Roll que temos por cá. Felizmente há pessoal que anda atento à música e vai puxando por Zé Pedro. Digo felizmente porque ele não é apenas uma figura de uma banda histórica. Não. Zé Pedro sabe o seu lugar na banda, mas é também um poço de informação sobre a história do rock, e é por estes dias um interessado, e informado apreciador de música. Está atento a tudo o que se passa à sua volta e lá por fora. Tem uma figura simpática, e pode explicar aos mais novos porque é que não se pode viver a vida toda em excesso. Sem dramatismos, nem demagogias falsas. Vem isto a propósito do lançamento da biografia escrita pela sua irmã Helena Reis "Não Sou o Único". Há uma bela entrevista que pode ser lida aqui: Zé Pedro na Visão
O vocalista que fez história nos Soundgarden andou nos últimos anos pelos Audioslave,e este ano regressa a solo. ChrisCornell edita "CarryOn" onde mora uma curiosa versão de um sucesso de Michael Jackson: Billie Jean. Vale a pena ver o resultado final aqui: Billie Jean por ChrisCornell
A Avenida da Liberdade, em Lisboa, vão ser palco de uma verdadeira maratona de concertos esta sexta. CAVEIRA, Tropa Macaca, One Might Add ou Frango são alguns dos nomes presentes. Os concertos decorrerão no primeiro andar do número 211 da Avenida da Liberdade. O conceito dos 13 concertos assenta em sessões de improviso e jam sessions. Haverá, ainda, espaço para tendas de discos e afins. Começa às 21:30 e a entrada custa €5.
O Dance Station foi a prova de que ainda é possível surpreender Lisboa com um evento musical bem organizado. Quase sem se dar por ele o Festival (chamemos-lhe assim) que ocupou parte da baixa lisboeta atraiu muitos entusiastas dos sons mais dançáveis. E esta noite ficou mostrado que o rótulo de dance music é muito abrangente e que tanto define a excelência de DJ's dos Chemical Brothers, como a calmaria luxuosa dos franceses AIR. No entanto o concerto que vai perdurar na memória colectiva de quem chegou à hora de jantar à sala do Coliseu foi assinado pelos !!!, muito graças à fabulosa performance do seu carismático vocalista Nic Offer. Apresentaram temas de "Myth Takes" e "Louden Up Now" com um ritmo alucinante, entre danças alucinadas, discurso bem humorado, e saltos para o meio da plateia para cantar no meio dos fãs. Um verdadeiro vulcão em formato de três pontos de exclamação que conquistaram o Coliseu música a música, acabando em loucura total. Razão tenha Nic Offer quando perguntou quem é que se tinha lembrado de os pôr a tocar aquela hora? Um dos concertos do ano, a confirmar que o mito à volta da passagem deles por Coura tem fundamento.
Destacado o melhor concerto da noite no Coliseu falemos da brilhante ideia da transformação da bela estação do Rossio em pista de dança. Muito bem conseguida a envolvência do ambiente de estação de comboios com o palco, luz e som. Parecia uma espaço feito para grandes concertos. E quem tirou o expoente máximo do local foi o duo Chemical Brothers com uma actuação poderosa e inesquecível. Com um casamento perfeito entre imagens decorativas no cenário do palco, mais um jogo de luzes espectacular, e uma qualidade de som acima da média, os muitos resistentes da maratona Dance Station reagiram em euforia aos sons dos muitos singles conhecidos. A partir de Galvanize foi sempre a subir. Grande festa na estação!
Pelo meio no Coliseu ficam para a história dois concertos diferentes. Os Air regressaram a um palco que já tinham pisado no início da década, e voltaram a lembrar que são muito bons para se ouvir em disco. Ao vivo a coisa arrefece, e adormece. Ainda para mais depois da passagem estrondoso dos !!! a diferença notou-se. De qualquer maneira tiveram a sala quase cheia para os aclamar. Já a passagem de Fisherspooner foi bem engraçada. Algures entre o glam disco, e o elctro manhoso, o rapaz arrancou uma boa actuação ajudado por duas versáteis dançarinas, e conseguiu entusiasmar ao máximo a plateia do Coliseu.
Uma noite diferente no eixo Portas de St. Antão - estação do Rossio, com a ponte terrestre a ser feita de cerveja na mão, a combater a noite quente, e com muitos encontros entre amigos e conhecidos no meio da rua. Resultou em cheio o Dance Station.
Amanhã há música de dança para os lados do Rossio. Nomes como Chemical Brothers, AIR, Digitalism, Tiga, !!!, e Space Boys vão animar o Coliseu de Lisboa e a estação do Rossio. Os horários das actuações do Dance Station são os seguintes:
Estação do Rossio (portas abrem às 18h00) 01h30 – 03h00 The Chemical Brothers 00h30 – 01h20 Justin Robertson (DJ set) 22h30 – 00h30 Tiga (DJ set) 20h30 – 22h30 Erol Alkan (DJ set) 19h00 – 20h30 Jori Hulkonnen (DJ set)
Coliseu dos Recreios (portas abrem às 19h00) 03h20 – 04h20 Digitalism 01h30 – 03h00 Space Boys 23h40 – 01h10 Fischerspooner 21h50 – 23h20 Air 20h00 - 21h30 !!! (Chk Chk Chk)
Os preços dos bilhetes variam entre os €30 (Coliseu), €35 (Estação) e os €39 (Coliseu + Estação, edição limitada a 2000 exemplares).
Nada melhor do que poder trabalhar e ouvir nos "phones" uma bela selecção de reggae, dub, roots, e afins da Jamaica. O segredo está em sintonizar a excelente RightOnScales Reggae Radio. Escolhas de primeira água para sonorizar dias difíceis de trabalho enquanto as férias não chegam. Sintonizem http://radio.rightonscales.com/index.html.
Amanhã à noite em Mafra continua o Cool Jazz Fest com um concerto do que sobre do colectivo cubano BUENA VISTA SOCIAL CLUB. Neste renovado colectivo de 11 elementos cubanos pontificam agora os nomes de Guajiro Mirabal (trompete), Manuel Galbán (guitarra), Cachaito López (contrabaixo) e Aguaje Ramos (trombone). A partir das 22h no Jardim do Cerco em Mafra.
A noite era de 7 maravilhas, e Live Earth, mas ao fim de mais de uma semana pelos caminhos do rock o apelo de uma sessão reggae falou mais alto e Carcavelos foi o destino. Na segunda, e última, noite do MUSA a atracção principal era Israel Vibration, nome maior da história da Jamaica, e um caso simbólica de vontade de viver. Compostos por membros afectados pela doença Poliomelite, são uma das referências do reggae roots com uma carreira que iniciou-se nos anos 70 com o álbum “Unconquered People” gravado nos míticos estúdios Tuff Gong de Bob Marley. Ontem aqueceram a noite no recinto ao lado da praia de Carcavelos e o som quente do reggae fez esquecer o muito vento, e pó levantado do chão. Muitos apreciadores de reggae responderam ao apelo a mostrar que a devoção às raízes do reggae é um facto consumado por cá. Acompanhados pelos fantásticos Roots Radics, uma das melhores e mais conhecida backing band da história do reggae, tocaram temas como “Ball Of Fire” “Rudebwoy Shuffling”, “Why Worry”, “The Same Song”, “Licks and Kicks”, ou “Livity in The Hood”. Mais umas personagens da rica história jamaicana a assinarem por cá um bom concerto. Hoje vão estar no Porto, no Sá da Bandeira, por isso não os percam, malta do norte.
Destaque também para a última aparição em palco dos veteranos espanhóis Skaparapid. Com um punk reggae bem puxado fizeram aquele que eles dizem ser o último concerto, embora já o venham dizendo há uns tempos e depois nunca se confirma.
Que o planeta está mal ambientalmente já todos sabemos. Aliás, é por isso mesmo que hoje temos uma enorme evento à escala mundial centrado na música. A nossa RTP não percebeu bem isso e em vez de nos dar os melhores concertos que acontecem pelo mundo fora está a fazer um desfile de vaidades orais a ver quem diz a frase mais acertada e bonita. Porra, queremos música!! Será muito complicado de perceber?!
Desisto da RTP e dedico.me à excelente cobertura da internet via Live Earth on MSN. Fabulosa qualidade de video e som, escolhemos o palco que queremos, e podemos ver resumos, e fotos. Desliguemos a TV no dia em que a internet venceu definitivamente a televisão.
Dentro de poucas horas começa o Live Earth que vai dominar o sábado, dia 7 de Julho de 2007, com música repartida por oito palcos: EUA, Reino Unido, Austrália, Japão, China, África do Sul, Brasil e Alemanha. É um acontecimento que pode dividir as opiniões quanto ao seu oportunismo, mas tem na música o grande motor por isso é de acompanhar os concertos por esse mundo fora. A ver se descobrimos alguma actuação memorável. No entanto a overdose de aparições é tanta que vai ser difícil escolhermos o que acompanhar, e como acompanhar.
Há um horário dos vários concertos (Londres arranca às 13h30) e a respectiva lista de artistas. No site oficial, há uma lista geral de participantes que vale a pena consultar — e há também um blog oficial. Por cá, a estação oficial do Live Earth é a RTP, e na rádio a Antena 3.
Foi preciso esperar pelo último dia da 13ª edição do Super Rock para se viver uma autêntica tarde quente de um verão que teima em não aparecer. Desta vez o calor, e o sol iluminaram as prestações de três projectos lusófonos, com destaque para os Micro Audio Waves, e inspirou os Gossip e os Tv on The Radio a arrancarem belos concertos.
A técnica da força é o estilo do trio Gossip onde Beth Ditto é a figura maior. O trocadilho é tão óbvio quanto irresistivel: foi uma actuação de peso! Miss Beth exibiu vestido azulado, e passeou-se descalça enquanto projectava a sua poderosa voz para um recinto já com alguns milhares admiradores.
Não, não se despiu. Foi expansiva na comunicação com a plateia, disse que queria muito ver os TV on The Radio, desculpou-se pelo cansaço, e por uma arreliadora tosse, e interpretou com alma todos os temas já bem conhecidos dos mais atentos, com destaque para uma bela versão de «Careless Whispers» dos Wham!, e para «Standing In The Way of Control». Esta foi a última canção, altura em Beth pulou do palco para perto da primeira fila onde terminou o concerto. Já os companheiros recolhiam quando pudemos assistir aos seus dotes de alpinista a escalar a plataforma do palco. Isto perante o aplauso em sinal de aprovação geral. Carismática passagem pelo SBSR.
Não era só Ditto que esperava com ansiadade pelos Tv On The Radio, uma plateia bem composta mostrava interesse em ver como os autores de «Return to Cookie Mountain», para muitos o melhor disco do ano passado, defendiam as suas canções ao vivo. Aqui destacou-se a força da técnica da banda de Brooklyn, em especial a genica do vocalista Tunde Adebimpe que manteve o interesse sempre alto na sua actuação até ao auge deste fim de tarde que foi a interpretação do soberbo «Wolf Like Me». Esta passagem só foi mais marcante devido a problemas de som que os prejudicaram, coisa que até aqui tinha sido rara neste palco. De qualquer forma um concerto de saldo positivo.
A honra de abertura deste último dia teria cabido à revelação angolana de hip hop, ala mais r&b, Anselmo Ralph. E só não foi assim porque surpreendemente apareceram em palco por volta das 16h30 os portugueses Gentlemen Strip Club a dar pop condizente com a tarde quente a quem já circulava no recinto.
Por sua vez Anselmo Ralph apresentou-se como revelação do Super Rock realizado em Angola há uns meses e tentou angariar admiradores para a sua causa recorrendo à temática amorosa.
Bem mais interessante foi a curta actuação dos Micro Audio Wave que mostraram a grande qualidade do seu novo trabalho, «Odd Size Baggage». Cláudia Efe, Flak e Carlos Morgado estão no caminho certo para o reconhecimento geral, basta ver a maneira como interpretaram o prometedor single «Down by Flow». Estão em claro crescendo.
Os X-Wife apostaram na apresentação de novos temas a incluir no próximo álbum. Naturalmente a reacção dos poucos festivaleiros no recinto não foi tão entusiástica como nos momentos em que João Vieira e companheiros se atiraram às canções já conhecidas. Uma actuação segura a demonstrar a experiência que os X-Wife já têm deste tipo de eventos.
Enérgicos como sempre, os Scissor Sisters foram saudável aquecimento para o grande concerto da quarta – e última - noite do Super Bock Super Rock, da responsabilidade dos Interpol. O término do 13º SBSR deu-se com os Underworld, num tempo extra que teve na electrónica papel principal.
Coube aos Scissor Sisters a sempre excitante missão de fazer a ponte entra a luz do dia e a soturnidade da noite. Quem os viu recentemente, no Coliseu dos Recreios, presenciou no Parque Tejo o mesmo conceito de espectáculo, com menos tempo dedicado às canções mais lentas mas a mesma entrega e dinamismo de sempre. Óptima banda para festival, indiferença é algo que não se passa por aqui: quer em palco quer na reacção do público, ora em comunhão total com a banda ora a tentar imitar as danças de Jake Shears em modo trocista. Não foram tão marcantes como na data recente no Coliseu de Lisboa, mas deixaram claramente a sua marca, e merecem pontos extra por isso.
Grande concerto depois para os também nova-iorquinos Interpol, em modo de antevisão para «Our Love to Admire», terceiro de originais a editar na próxima segunda-feira. Envolvente será, provavelmente, o mais ajustado adjectivo para um espectáculo dos Interpol, tamanho é o grau de ligação entre o repertório da banda e o espírito global do público, do primeiro ao último instantes colado ao palco, às canções e à pose dos quatro norte-americanos.
A tocar presentemente com um teclista convidado, parece evidente que esta nova componente electrónica alargou fortemente os horizontes da banda, muito mais amplos musicalmente nos dias de hoje, mesmo que as novas canções pareçam, em primeira instância, mais difíceis de assimilar. Raramente trocam olhares entre si, mas tocam coesos como pouco. Vestem de negro, quase todos de fato (excepção para o look mais desportivo do vocalista Paulo Banks) e têm um baixista – Carlos D. – com o melhor bigode de todo o festival. Foram enormes no SBSR porque pegaram no melhor do trabalho conhecido em disco, moldaram-no e, sem tempo para pausas, despejaram suor e amor. Coube-nos a nós admirá-los. Grande concerto, nunca é demais repetir.
A noite – e Festival – findou ao som dos Underworld, num raro destaque no cartaz a sonoridades mais electrónicas. Houve, durante este 13º SBSR, pouca margem de manobra para bandas de cariz mais electrónica mas, e no que concerne aos Underworld, esse destaque ficou muitíssimo bem entregue. Mesmo para os que só conheciam o clássico «Born Slippy», o espectáculo dos britânicos assentou que nem uma luva na conclusão de um evento que foi, parece evidente, sucesso total e quase absoluto em matéria de concertos. A última noite acabou por ser a mais nivelada por cima no geral, mesmo que nenhum concerto se tenha equiparado às epifanias protagonizadas por Arcade Fire e LCD Soundsystem. Até para o ano, Super Bock Super Rock.
Na segunda noite do Acto 2 do Super Rock assistiu-se ao triunfo das batidas dos LCD Soundsystem sobre a caricatura depressiva anos 80 dos Jesus & Mary Chain. O confronto não foi suficientemente apelativo para atrair novas, e velhas gerações de fãs de música. Nem a interessante presença dos Maximo Park evitou que esta fosse a noite mais fraca em termos de festivaleiros no recinto. Ficam a perder todos os que não viram a grandiosa actuação da banda de James Murphy.
É já uma tradição no 13º Super Rock, o último concerto da noite é sempre arrebatador. Aos Metallica, e aos Arcade Fire, juntam-se os LCD Soundsystem com um concerto digno de figurar nos primeiros lugares do ranking desta edição. Pairava a incerteza perante o sucesso na transição do excelente «Sound of Silver» para palco. Se dúvidas ainda existiam com o avançar do concerto foram liquidadas logo na fabulosa interpretação de «All My Friends». Os LCD funcionam na perfeição ao vivo, os sons saem-lhes fortes, incisivos e contagiantes. O ritmo leva qualquer corpo a esboçar uma dança, e a voz de James Murphy está à altura do compromisso de apresentar canções como «North American Scum». Um grande concerto algures entre o rock e a música de dança, em que os LCD se confirmam como uma banda sólida de palco.
Foi um encerrar de noite entre pulos, e muita dança, que sucedeu a um dos momentos mais misteriosos deste Super Rock. Antes do triunfo de Murphy, tinham actuado os Jesus & Mary Chain. O objectivo dos irmão Reid e companhia foi cumprido, ou seja ninguém ficou indiferente a esta ressureição. Houve quem detestasse, houve quem adorasse. A verdade é que há motivos para ambos os lados. Para quem cresceu ao som de «Psychocandy», editado há mais de 20 anos, não consegue evitar um sentimento de emoção ao ouvir aquelas músicas. Aliásm o alinhamento escolhido foi feliz e juntou clássicos dos diferentes discos com temas novos que farão parte de um novo disco. Em contraste com a emoção própria de quem os recorda está o duro facto de olharmos para os Jesus & Mary Chain ali à nossa frente e sentirmos que estão feitos uns meninos. Os cortes de cabelo, o som limpo, a atitude passiva, tudo contraste com as nossas memórias de passagens anteriores pelo Pavilhão Carlos Lopes, ou pelo Super Rock de 1995. De qualquer maneira acabaram por dar uma concerto digno já que deram bem a volta a uma entrada em cena desastrada, e depois de um engano com direito a recomeço no clássico «Some Candy Talking». A partir daí melhoraram mas não o suficiente para sairem de Lisboa triunfadores.
Bem energético, e motivado estava o líder dos Maxïmo Park Paul Smith. De regresso ao nosso país, depois de uma passagem pelo Sudoeste, e com álbum novo («A Certain Trigger») na bagagem, defenderam bem o prestígio de serem editados pela selecta Warp, editora mais dada a electrónicas, e exposeram o seu rock pop com grande entrega, e muita comunicação com um público em número reduzido, mas conhecedor e apreciador da sua música. Prometem voltar.
Uns Mundo Cão ainda algo verdes em palco abriram o terceiro dia de actividades do 13º Super Bock Super Rock. Horas mais tarde, coube aos Clap Your Hands Say Yeah um dos mais entusiasmantes concertos do dia.
Boa parte do destaque numa actuação dos Mundo Cão centra-se na figura de Pedro Laginha, vocalista e cara de um projecto que tem em «Morfina» single de destaque no airplay radiofónico nacional. A escola Mão Morta tem aqui descendência visível, faltando aos Mundo Cão solidificar uma série de boas ideias e canções em espectáculos mais amplos e conseguidos. Mesmo assim, a verdade é que há por aqui coisas boas que merecem destaque, secção rítmica à cabeça.
Depois dos Linda Martini, os Clap Your Hands Say Yeah (CYHSY) afastaram receios de um concerto menor, parente directo de um segundo de originais longe qualitativamente da estreia de há alguns anos atrás. Liderados pela presença e voz de Alec Ounsworth, os CYHSY pegam em muito bom pedaço da história da música e ajustam-no ao seu tempo com relativa mestria e inventividade. Centrados numa voz única (ame-se ou odeie-se, não é por isso que deixa de ser ave rara), são os teclados e restantes elementos electrónicos que conferem maior profundidade à sonoridade da banda, que tem aí um filão para explorar ainda mais num futuro próximo.
Houve, da parte dos CYHSY, uma inteligentíssima gestão de alinhamento, que centrou boa parte das atenções na estreia ficando o recente segundo tomo relegado a plano menor, com inclusão apenas das canções globalmente (banda incluída) tidas como mais certeiras. Casos, refira-se em adenda, de «Yankee Go Home» ou a excelente ao vivo «Satan Said Dance». CYHSY, ou como os Talking Heads nunca fizeram tanto sentido – excelentes.
É a grande notícia que faltava ao festival alentejano, Manu Chao vai actuar no Sudoeste! Para quem já pensava em ir a Vigo pode começar a apontar baterias para sul porque o espectáculo vai ser de arromba.
Actualização: Manu Chao toca logo na primeira noite do Sudoeste a 2 de Agosto. Alinhamento conhecido até agora: Dia 2: Manu Chao, Damian Marley, Gilberto Gil, Mayra Andrade, I'm From Barcelona e Cassius (Palco TMN); Rui Vargas, Noisettes, 2 DJs do C******, Camera Obscura e Ojos de Brujo (Tenda Planeta Sudoeste)
Dia 3: Cypress Hill, The Cinematics, Just Jack, Outlandish, Armandinho e Buraka Som Sistema (Palco TMN); Mary Ann Hobbs, Bonde do Rolê, Datarock, Balla, Os Lambas e Nastio; General Levy + Robbo Ranx, Steel Pulse, Soldiers of Jah Army e Manif3stos (Palco Positive Vibes)
Dia 4: Groove Armada, The Streets, Sam the Kid, Sérgio Godinho, Air Traffic, Australian Pink Floyd (after-hours - Palco TMN); Koop, Patrick Wolf, Sondre Lerche, Sonic Junior, Vanessa da Mata, Tiago Bettencourt, Eta Carinae (Planeta Sudoeste); Sounds Portugueses, Saian Supa Crew, Martin Jondo, Stepacide (Palco Positive Vibes)
Dia 5: James, Mika, Phoenix, Razorlight e Babylon Circus (Palco TMN); The National, Of Montreal, Trail of Dead, Tara Perdida, 2008, Rui Vargas e Stereo Addiction (Tenda Planeta Sudoeste); Pow Pow Movement, Tiken Jah Fakoly, Yellowman e Alioune K (Positive Vibes)
Primeira noite do segundo acto do Super Rock a registar apenas metade da afluência de festivaleiros em relação ao que se tinha visto na última quinta feira. A tribo metaleira ainda é o que era, fiéis seguidores dos seus ídolos. Já a comunidade menos heterogena composta de fãs dos Bloc Party e Arcade Fire respondeu em menor número, por volta de 20 mil pessoas, ao apelo de uma noite a ameaçar chuva, mas compensadora.
Para quem, como eu, estava com um secreto receio que a performance de Paredes de Coura não fosse igualada, os Arcade Fire responderam com uma energia, e uma entrega emocionante. Já ia bem lançado o concerto quando umas tímidas pingas de chuva abençoaram aquela reunião. O povo rendido, hipnotizado, e entregue à causa de 10 seres maiores que pisavam um palco com pinta de igreja. Cortinas vermelhas como fundo, vários pequenos, e redondos, ecrans espalhados entre os músicos que projectavam a imagem da bíblia em neon que ilustra a capa deste novo trabalho. Se eles representam uma religião então é a ela que eu pertenço. A vantagem destes canadianos é que só sabem fazer canções grandiosas. Foi assim no disco de estreia, e voltaram a confirmar tudinho na nova edição deste ano. Pelo meio tinha ficado uma inesquecível passagem por Coura, portanto esta é uma banda só com pontos altos aos nossos ouvidos. Desde o arranque ao som de «Black Mirror» que o vocalista Win Butler e seus pares agarrou o público com uma actuação sempre em alta , e que no momento de «Neighborhood #3 (Power Out)» atingiu o auge, e por aí se manteve até ao fim com uma recta final avassaladora!
Antes tinham estado em acção os Bloc Party que tinham em comum com os Arcade Fire o facto de também terem assinado uma boa passagem por Coura. Mas desta vez a actuação dos londrinos não foi tão convincente. Houve momentos altos com a passagem pelos hits de «Silent Alarm», especialmente com o single que serve uma operadora de telemóveis, mas o facto de os dois discos editados serem desiquilibrados reflecte-se ao vivo, e nem a esforçada prestação de Kele Okereke consegue catapultar os Bloc Party para uma dimensão superior. Assim ficam-se por um concerto regular.
Surpreendente, em particular para quem não os conhecia, foi a apresentação dos Magic Numbers às primeiras horas da noite. Conseguiram transmitir a sua pop delicada que os seus discos anunciam, e fizeram valer as suas canções já rotuladas de California Sixties em formato quase familiar. Para ser perfeito só faltou o respectivo sol aparecer.
Cinzenta. Mais em termos atmosféricos do que musicais, felizmente. Foi assim que começou a tarde do primeiro dia do segundo acto do Super Bock Super Rock, versão 2007. Das bandas nacionais ficaram memórias diversas, coube aos britânicos Klaxons a primeira desilusão do dia.
A tarde começou ao som dos Y?, vencedores do concurso Super Bock Super Rock Pre-Load. Actuaram, como prémio, quinze minutos, num concerto do qual se podem orgulhar e contar, um dia mais tarde, aos netos. Infelizmente, para os presentes, na retina fica pouco mais do que a boa voz – e presença – da vocalista, e uma sonoridade que lembra os Guano Apes com mais ligações ao metal. Foram algo inconclusivos e inócuos, mas mesmo assim animaram algumas dezenas de pessoas neste começo de tarde. Posteriormente, coube aos Bunnyranch o primeiro excelente concerto deste Act 2, lição de bom rock’n’roll facção guitarras mais teclados – tudo isto com sentido de humor e extrema pertinência. Fizeram, certamente, alguns amigos na tarde de ontem.
O arranque do concerto dos The Gift foi pontuado por uma série de problemas técnicos que limitaram boa parte da manobra dos quatro de Alcobaça. Se a hora (cedo, cedíssimo) a que tocaram levou a alguma desmotivação da parte dos músicos, a verdade é que não foi por actuações como a de ontem que os The Gift estão onde estão – seguros e plenamente firmados no panorama pop/rock nacional. Ontem, foram algo previsíveis e sem chama, em concerto eficaz e pouco mais, que só na recta final ousou realmente levantar. Na retina: a camisola transparente de Sónia Tavares, a gravata de Nuno Gonçalves, e o final de «So Free», ainda e sempre uma das melhores canções da banda.
Seguiram-se no alinhamento os Klaxons, uma das maiores desilusões da noite. Na verdade, os temas da banda são, regra geral, bons, não obstante serem pouco diferentes entre si. Todavia, a sensação de estar-se a assistir a um concerto em tudo semelhante ao que é ouvido em disco não foi, certamente, aquilo que muito boa gente esperava. As filas da frente agitaram-se, mas no geral ficou o amargo travo da decepção. Fiquemo-nos pela boa memória da estreia em álbum e pelo íntimo desejo de nova oportunidade, ao vivo, para breve trecho.
Enquanto os Klaxons são apoteoticamente recebidos por uma plateia já bem composta, actualizo as informações sobtre o arranque do segundo dia do Super Rock. Muito menos gente no recinto até às 20h se compararmos com a 5ª feira metaleira, o que se prova mais uma vez a fidelidade dos fãs dos sons mais pesados nestas coisas. A representação portuguesa já passou pelo Parque Tejo com concertos ods The Gift, e dos irreverentes Bunnyrunch. A abrir a tarde estiveram os estreantes Y?.
O tempo está ameaçador mas não faz frio por enquanto embore já se saiba que lá mais para a noite a coisa ficará mais agreste.
Gotan Project em Oeiras Jardim do Marquês de Pombal, Cool Jazz Fest
O regresso dos Gotan Project a Lisboa foi calorosamente celebrado por muitos admiradores que encheram o bonito Jardim Marquês de Pombal em Oeiras para ver e ouvir o resultado de sons do tango dentro de uma enorme misturadora em forma de mesa de misturas onde já não há só electrónica dançável. Apesar de estarem longe do brilhantismo e da originalidade com que se estrearam por cá na Aula Magna no princípio da década, ainda conseguem arrancar bons momentos.
O problema dos Gotan Project foi logo o primeiro álbum. Para quem não se lembra recordemos que o som dos Gotan Project cativou pela originalidade de cruzar tão bem a sensualidade do tango, com a batida dançável. Por cá começou-se a ouvir em rádios mais "alternativas", como a Voxx, singles como o perfeito Santa María (del Buen Ayre), que ainda hoje resulta muito bem ao vivo como se pôde constatar esta noite. A questão é que para quem na altura andava mais atento foi coleccionando quase todos os temas que mais tarde foram reunidos em formato de álbum, e que originou "La Revancha del Tango". Ou seja, já aí se esperava mais do que uma simples compilação de singles. Ficou-se à espera do passo em frente, enquanto assistimos a mais do que uma passagem pelos nossos palcos com espectáculos convincentes. Só que o próximo passo nunca aconteceu verdadeiramente, e os Gotan Project preferiram seguir o caminho mais seguro, e mais desinteressante, que foi o de fidelizarem a imensa franja de fãs que os foram conhecendo pelo rótulo de Lounge Music para pessoas com gosto. Digamos que acertaram na escolha já que conseguiram o que queriam; vender discos, e concertos cheios. A nível musical facilitaram e ficámos todos a perder, pois em vez de termos uns Gotan Project a contiuarem a árdua tarefa de dar novas coordenadas ao seu tango, temos uma banda a partir de uma batida continuada, embebida num acordeão preguiçoso, a cruzar tudo o que de mais óbivo há, e nem o rap escapa.
Em palco a postura, e o ambiente visual também mudou radicalmente. Já não temos dançarinos de tango à frente dos músicos, agora em palco todos se vestem de branco de maneira a não atrapalhar os jogos de luzes, entre o azul e o vermelho, e as imagens no fundo do palco que constroem autênticos videoclips em cada canção.
O que é mais improvável; cruzar tango com rap?, o Benfica equipar de rosa?, ou a plateia dos Gotan Project aproveitar qualquer deixa para acompanhar aquela música com palminhas?! Todas são hipóteses descabidas, no entanto todas elas são realidade hoje como sabemos. O tango com o rap até se safa, mas o público a tentar companhar com palminhos durante 20 segundos pedaços daquela música é uma parolice! Mas o pessoal estava preocupado com o difícil estacionamento do carrinho, houve até quem se pirasse logo do recinto antes de haver encore, tal era a pressa para não perder horas de sono no início da semana de trabalho! E quem saíu fez mal porque o tema tocado no encore foi o momento alto da noite, juntamente com as passagens por La Revancha del Tango, que começou com as meninas dos violinos a imitarem uma intro de uma canção de Michael Jackson, e acabou com um parabéns a você improvisado a um dos fundadores da banda. Foram largos minutos de excelentes instrumentais muito bem conseguidos.
De resto um belo embrulho para uma prenda já requentada, mas que satisfaz aquela audiência que não se importa de pagar por hora e meia de música quase tanto quanto a "chavalada" vai pagar amanhã no Parque Tejo para ver mais de 6 bandas com discos bem mais actuais.
É o que se pode chamar de "linha" em termos de ocupação por noite de concertos nesta semana. Já se sabe que a partir de amanhã há maratona SBSR, e para sexta, noite de ressaca, já temos encontro marcado com os Asian Dub Foundation em Carcavelos. Faltava a noite de hoje. Há minutos recebi um convite para ir ver os Gotan Project em Oeiras no Festival Cool Jazz Fest. Já vi duas vezes Gotan Project. A 1ª na Aula Magna gostei. Traziam La Revacha del Tango na bagagem, e eu gostei muito da maioria dos singles que foram saindo antes de serem compilados naquele a que se chamou como disco de estreia. Esta espécie de electrotango acabou por ganhar tantos fãs que a sua música banalizou-se e por alturas da segunda passagem por Lisboa, a primeira no Coliseu, já não foi tão entusiasmante. A partir daí a batida esmoreceu e deixei de acompanhar a evolução do trio Eduardo Makaroff, Philiphe Cohen Solal e Christoph H. Müler. Hoje, não sei porquê, resolvi aceitar o desafio de os rever e saber como é o seu recente disco Lunatico ao vivo. Expectativas baixas, pois claro, mas é certo que vai saber bem ouvir alguns temas do disco de estreia. A partir das 22h em Oeiras, Jardim do Palácio Marquês de Pombal - Largo do Marquês de Pombal - Palácio
Tal como já tinha explicado há dias o site dedicado a esta nova digressão dos Metallica vai vender os concertos da banda. Sobre o fantástico concerto de 5ª feira no Super Rock já há possibilidade de encomendar, e até avançam notas curiosas sobre a noite lisboeta:
*This is the fifth time Metallica has played in Portugal. They previously performed in Portugal in 1993, 1996, 1999, and 2004.
*This was the first time Ride the Lightning was performed in Portugal. The last time Ride was performed was on October 17, 2004 in Washington D.C.
*This was the second time The Memory Remains was performed in Portugal. The last time Memory was played in Portugal was on July 16, 1999 at the Super Rock Festival and the last time Memory was performed was on November 22, 2004 in Salt Lake City, UT.
*This was the first time in 18 YEARS that …And Justice For All was played in full. It was last performed in October of 1989 in Sao Paulo, Brazil.
*This was the first time in 9 YEARS that the full version of Am I Evil? was performed. The full version was last performed on November 24, 1998 in New York City. The last time the song has been performed in any capacity was on May 1, 2004 in Cincinnati, OH.
Hoje em Wembley muitos artistas conhecidos mundialmente actuam num evento organizado pelos filhos da princesa Diana falecida há 10 anos. Passam pelo palco Kanye West, Duran Duran, Nelly Furtado, Pharrell Williams, Joss Stone, Lily Allen, entre outros. Na página do canal de música VH1 será possível ver vídeos e fotos: Concerto para Diana
A RTP cobre o acontecimento a partir das 15h30: O "Concert for Diana", promovido pelos príncipes William e Harry terá lugar no novo Estádio de Wembley em Londres, a 1 de Julho de 2007, data na qual sua mãe, a princesa Diana completaria 46 anos. As receitas do espectáculo que reunirá algumas das maiores estrelas do panorama musical mundial, irão reverter a favor não só das instituições de beneficência que foram apoiadas pela Princesa bem como aquelas que são apoiadas pelos príncipes Harry e William.
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