09 novembro 2007

Mariza no Pavilhão Atlântico: Sem Grammy mas com amigos


(foto Rita Carmo, in Blitz)

Seremos ainda um país de três F`s ? Olhando para a quantidade de bandeiras à janela em cada fase final de selecções sabemos que o futebol continua apaixonante. Observando o destaque dado à recente inauguração da Basílica de Fátima, percebemos que o mito está bem vivo. E a julgar pela presença de 12.500 pessoas que esgotaram esta noite o Pavilhão Atlântico temos o fado bem presente na nossa cultura.


A questão é saber se Eusébio, e Amália têm herdeiros à altura. A nível de talento nunca terão, mas em termos de aceitação já temos dois nomes bem lançados. Mariza está para o fado, assim como Cristiano Ronaldo está para o futebol. Nenhum é melhor que as duas lendas que marcaram o passado recente do nosso país, mas ambos se tornaram na principal marca de Portugal nas suas áreas. Bem trabalhados, e bem apoiados, curiosamente com instituições bancárias pelo meio, os seus talentos são cada vez mais reconhecidos pelo mundo fora, mantendo bem chama a vida dos 3 F`s.

Sabe-se que há uma nova, e talentosa, geração de fado que, felizmente, tem sabido captar as atenções dos mais novos para manter a tradição viva. Mariza é o nome maior porque tem divulgado o culto pelo mundo fora, com imensa inteligência, mantendo uma imagem que é clássica, mas também moderna, interpretando os fados mais simbólicos, mas também visitando sonoriedades diferentes. Os seus discos estão todos no top de vendas actualmente, e esta era a última noite da digressão «Oito Lugares Com História», e o último concerto em Portugal este ano. O reconhecimento mundial vem de todo o lado como prova a passagem pelo importante programa de tv americano David Letterman, ou os destaques dados pela imprensa especializada internacional como a revista inglesa Uncut.

Mariza sabe levar o triste, e negro, fado para os campos mais abertos e acolhedores da World Music. Se nós podemos vibrar com um espectáculo dos Tinariwen só pela musicalidade, e impacto visual dos Tuaregues sem percebermos uma palavra, porque não podem os outros sentir o mesmo com a nossa Mariza?

Esta visibilidade internacional podia ter conhecido hoje o auge com a entrega do Grammy na categoria de Melhor Álbum Folk, com «Concerto em Lisboa».

Podia mas não aconteceu. Já no encore Mariza anunciou que o Grammy, que tinha sido um bom chamariz para esgotar a sala, ia para a Colômbia. Foi pena, mas o público compensou com uma estrondosa ovação, e participação no último fado da noite, o emblemático «Gente da Minha Terra».

Pouco antes tinha-se ouvido uma excelente interpretação de «Primavera» onde Mariza mostrou toda a sua garra vocal, toda a expressão do seu sentimento através da voz, todo o seu talento.

Pena não ter sido este o ritmo do concerto. Afinal a anunciada presença de amigos da fadista ganhou uma dimensão maior que a esperada, e a verdade é que Mariza acabou por desaparecer de palco vários minutos cedendo o espaço totalmente aos seus convidados. Se no caso de Carlos do Carmo a cedência faz todo o sentido, cantar «Canoas do Tejo», e «Lisboa Menina e Moça» com mais de 12 mil pessoas em coro é arrepiante, já com os outros convidados soou a despropositado. O angolano Filipe Mukenga, o brasileiro Ivan Lins, Rui Veloso e o cabo verdiano Tito Paris deram uma expressão lusófona ao espectáculo, mas retiraram muito do protagonismo que se queria ver em Mariza. Não deixa de ser estranho olhar de repente para o palco e ver Rui Veloso a embalar a plateia com um hit de novela chamado «Jura» numa noite de fado!

É este o segredo de Mariza, parte do fado para o resto da cultura musical lusófona e cria o tal ambiente World Music que é muito menos fechado que o fado tradicional, mas também menos fascinante.

A noite abriu oportunamente com imagens e sons do filme «Fados» de Carlos Saura, em exibição nas salas portuguesas, num ecran gigante fixado por cima de um palco bem simples, com bonitos jogos de luz, onde os guitarristas que acompanham a fadista, mais uma secção rítmica de percussão, e a Sinfonietta de Lisboa, repartiram o espaço, sendo que sempre que Mariza tomava conta dos fados enchia não só o palco, como toda a sala, com a projecção da sua magnífica voz.

Foi uma noite de celebração, com menos fado do que se podia esperar, e sem grammy para aclamar. Na memória ficam as sábias palavras do senhor Carlos do Carmo que explicou às massas que no fado não se acompanha com palmas, canta-se. Sem palmas.

in disco digital

Barreiro Rocks Começa Hoje

Logo à noite começa o Barreiro Rocks. Rock n' Roll com epicentro na margem sul.

Festival Número-Projecta 07 Já Arrancou

Começou ontem a edição 2007 do Festival Número.
Aqui fica a apresentação segundo os organizadores do evento:
Entre os dias 8 e 14 de Novembro, Lisboa recebe a oitava edição do Festival Número-Projecta – Festival Internacional de Artes Multimédia, Cinema e Música de Lisboa.
Com uma programação distribuída pelos cinemas São Jorge e Quarteto e pelo Centro Cultural O Século, o Número-Projecta’07 é uma organização da associação Número – Arte e Cultura e da Netamorphose, com a colaboração de programação da editora/promotora Variz.org, que pretende fomentar o intercâmbio entre criadores nacionais e internacionais nas áreas da música experimental e do VJing, cinema e vídeo-arte.

À semelhança do que aconteceu nas edições anteriores, o Número-Projecta’07 convocou alguns dos nomes mais apelativos da cena artística internacional nas áreas supracitadas.
Merecem especial destaque, na área da música, os colectivos Cluster, D-Fuse e os portugueses Photonz e, em actuações a solo, o músico português Rafael Toral, bem como a artista japonesa Ikue Mori, musicando três filmes mudos da cineasta avant-garde Maya Deren, uma peça desenvolvida a convite da Tate Modern em 2007.

No que se refere às áreas de expressão musical e multimédia espanholas, país convidado deste ano, destacam-se dois dos seus expoentes máximos, a saber, No-Domain, nome essencial do VJing internacional, e o compositor Oriol Rossell, programador musical dos festivais Sonar e Offf.

No cinema, para além do ciclo “Novo Cinema Espanhol”, decorrerá uma mostra de “Pink Film”, género próximo do “soft-core” que constituiu um campo experimental para muitos dos realizadores japoneses de primeira linha, tal como Koji Wakamatsu, Takahisa Zeze ou Kiyoshi Kurosawa. O Festival Nacional Convidado deste ano é o Festival de Avanca e a Produtora Nacional Convidada, categoria criada a partir desta edição, será a Andar Filmes. Documentários, filmes de animação, workshops e uma mostra antológica do realizador português Tiago Pereira completam os destaques na área do cinema.

Na vídeo-arte, a não perder a apresentação da Organização Internacional Convidada, “Heraclitus”, com a presença da sua directora, a realizadora Joanna Callaghan, presente também em conferência, e a reposição do screening “O Vídeo Vai ao Cinema”, mostra de vídeo-arte nacional presente em Berlim por ocasião do Festival Português’07 (uma produção Número-Projecta), com alguns dos nomes mais importantes da nova geração.

Porque Espanha é o país convidado desta edição do Festival Número-Projecta, foi convidado David Reznak, realizador, programador e exibidor madrileno não só para apresentar “La Osa Mayor Menos Dos”, a sua obra mais recente, mas também alguns dos títulos mais significativos do novo e independente cinema daquele país, como sejam “Las Horas del Dia”, primeira longa-metragem de Jaime Rosales, ou “Carlos Contra el Mundo”. Serão ainda exibidas as principais obras do artista visual e comissário Manuel Saiz, que estará presente no evento.

Site Oficial: Festival Número-Projecta 07

Sheiks em Cena no São Luiz

Seguindo a onda revivalista que recupera nomes como José Cid, ou o Quarteto 1111, chega agora a vez dos Sheiks que vão estar uma temporada no Teatro São Luiz a rever a sua carreira. Para sabermos mais nada como bebermos informação no obrigatório blogue, Guedelhudos, do amigo Luís Pinheiro de Almeida, que está a preparar a edição da biografia dos Sheiks:
Os Sheiks iniciaram ontem, às 23H30, nos Jardins de Inverno do Teatro São Luiz, em Lisboa, uma série de 12 espectáculos com a sua carreira gloriosa de 1964 a 1967.

Em palco, os músicos falam entre si e obedecem à encenação histórica de António Feio, contemporâneo da banda.

Como não podia deixar de ser, a peça inicia-se com o primeiro encontro dos músicos e a sua entrada de per si em cena.

Cantam assim, sucessivamente, "Runaway", "Smile", "You´re Sixteen", "Barbara Ann", "Be Bop A Lula", "Missing You"... e o resto é história.

A sério, vale a pena ir ver...

08 novembro 2007

Senhoras e Senhoras: O Disco do Ano 2007



Simplesmente fascinante o novo álbum de Burial!
Depois do enorme destaque de há um ano com o seu disco de estreia a catapultar o movimento Dubstep para as primeiras páginas da imprensa especializada, Burial atinge a perfeição ao segundo disco dentro da editora Hyperdub de Kode 9, que também assinou grande disco há um ano.
Este "Untrue" está cheio de alma, e está cheio de vida entre as batidas cirúrgicas e samplagens certeiras ao longo de mais de uma dúzia de temas.
Até a capa é perfeita. Estamos a ouvir o tema "Archangel", por exemplo, e conseguimos imaginar aquelas vozes a sairem do ambiente onde habita a figura da capa.
Misterioso, intenso, contagiante, dançante, sombrio, viciante. É assim "Untrue", a proposta de Burial para 2007.
Leio pela net que estamos perante o "Blue Lines" do século XXI. É bem provável que sim.
Um disco que se agarra aos nossos ouvidos, que requer mais, e mais audições, que em poucos dias faz parte da nossa vida, que se repete no eco do nosso pensamento mesmo quando não o estamos a ouvir. A melhor combinação de electrónica, alma, vozes, melodia, e imprevisibilidade.
Um disco enorme.
O disco do ano!


07 novembro 2007

Alicia Keys de Volta a Lisboa


Depois da passagem pelo Rock in Rio 2004 , Alicia Keys tem regresso marcado com um concerto no Pavilhão Atlântico a 19 de Março de 2008.
Alicia edita novo disco no próximo dia 13, chama-se "As I Am" e a capa ilustra este texto.

Interpol e Blonde Redhead Logo no Coliseu

O concerto dos Interpol de logo à noite no Coliseu dos Recreios encontra-se esgotado.
A banda vem apresentar o novo álbum «Our Love to Admire». Ainda este mês, estará disponível também no mercado uma versão do seu ultimo álbum com um DVD Bónus incluindo quatro temas ao vivo. Recordo que os Interpol foram uma das atracções maiores do último Super Rock, e na altura foi este o relato da noite em que tocaram: SBSR - Negros Como a Noite
Na primeira parte vão estar os (bem mais ) interessantes Blonde Redhead, que só por si já justificam uma ida ao Coliseu.

Einstürzende Neubauten em Maio Por Cá

Os Einstürzende Neubauten, que acabam de editar um grande disco que muito brevemente estará em destaque por aqui, vão estar na Casa da Música e na Aula Magna nos dias 3 e 4 de Maio de 2008, respectivamente. Excelente notícia!

06 novembro 2007

Barreiro Rocks 2007


Grande cartaz para mais uma edição Barreiro Rocks. Este ano o destaque vai inteiro para a actuação dos The Black Lips! A não perder no próximo fim de semana.

Rufus Wainwright no Coliseu

Rufus Wainwright regressa hoje ao Coliseu dos Recreios para apresentar o álbum editado este ano «Release The Stars».
Na primeira parte, vão estar os The Grey Race. Os concertos têm início às 20h15 e o preço dos bilhetes varia entre os 25 e os 35 euros.

05 novembro 2007

Agenda Cheia de Concertos: Haja Fôlego

Muita oferta para todos os gostos, e carteiras, para os próximos dias em Lisboa e não só.
Haja fôlego para acompanhar tantos concertos. Um roteiro possível é este que o J.Grandes Sons vai tentar cumprir:

quarta feira, dia 7: Interpol + Blonde Redhead - Lisboa - Coliseu
quinta feira, dia 8: Mariza & Carlos do Carmo & Ivan Lins & Rui Veloso & Tito Paris - Lisboa - Pavilhão Atlântico
sexta feira, dia 9: Sheiks - Lisboa - Teatro Municipal São Luiz
sábado, dia 10: Da Weasel & Orquestra de Rui Massena & Manel Cruz & Bernardo Sassetti & Gato Fedorento - Lisboa - Pavilhão Atlântico
domingo, dia 11: Skatalites - Lisboa

Façam os vossos roteiros segindo esta AGENDA.

Vizinhança

Aqui está um apanhado de blogues de vizinhança que foi deixando rasto nos comentários deste humilde espaço durante o último mês. Foram adicionados ali em baixo do lado esquerdo na área de links de vizinhos.
À vossa atenção:

  • Guedelhudos - Ié Ié

  • Conspirasons

  • Passarola Quer Voar

  • Peixe de Aquário

  • Brand New 4 U

  • Perfect Collection

  • Algures em Nenhures

  • Beating The Pearls

  • BitSound
  • Morrissey em Grande em Nova Iorque


    Morrissey andou por Nova Iorque a dar concertos no Hammerstein Ballroom e os relatos dos concertos falam de grandes performances com direito a invasão de palco pelos fãs!
    A foto do NME não deixa dúvidas, e no maravilhoso mundo do You Tube já há provas documentadas.

    04 novembro 2007

    Spice Girls: O Regresso Pop Mais Mediático do Ano

    Aqui está o novo vídeo que marca o regresso das Spice Girls ao activo. A poucos dias do lançamento mundial do seu "Best Of" as Spice Girls apresentam-se com muito bom aspecto no vídeoclip do tema original "Headlines (Friendship Never Ends)". Segue-se a Tour mundial, sem passagem por cá.

    03 novembro 2007

    Simian Mobile Disco: "Hustler" o Vídeo Mais Quente do Momento

    Os Simian Mobile Disco fizeram um vídeoclip para o seu single "Hustler" que, no mínimo, é bem quente. Banda sonora, e visual, para um fim de semana animado:

    02 novembro 2007

    MTV Prémios Europeus

    Foi ontem à noite em Munique:

    Melhor Artista Rock
    30 Seconds To Mars

    Melhor Artista Urbano
    Rihanna

    Melhor Banda
    Linkin Park

    Música Mais Viciante
    «Girlfriend» - Avril Lavigne

    Melhor Cabeça de Cartaz
    Muse

    Melhor Álbum
    Loose - Nelly Furtado

    Melhor Artista a Solo
    Avril Lavigne

    Melhor Artista Internacional
    Tokio Hotel

    Melhor Artista Português
    Da Weasel

    New Sounds of Europe
    Bedwetters (Estónia)

    Melhor Artista do Reino Unido e Irlanda
    Muse

    Video Star
    «D.A.N.C.E.» - Justice

    01 novembro 2007

    Raising Sand: Robert Plant e Alison Krauss Juntos Pela Folk

    Um dos encontros mais originais do ano resulta num belíssimo disco de canções cheias de emoção e desenvolvidas em áreas musicais que apaixonam os seus autores.

    Robert Plant está na ordem do dia com as notícias que dão conta de uma reunião dos Led Zeppelin, mas enquanto isso juntou-se a sua voz para interpretar músicas de blues, country, dando expressão à sua paixão pela folk americana. A companhia não podia ser melhor, Alison Krauss há muito que domina o canto de do Bluegrass, e country, e aqui juntam-se para um disco muito bem conseguido.
    "Raising Sand" é produzido pelo respeitavel T-Bone Burnett, e conta ainda com a colaboração de Marc Ribott.
    Um disco para não deixar passar despercebido.

    31 outubro 2007

    Moonspell em Halloween

    Os Moonspell actuam hoje no Coliseu dos Recreios. Em apresentação, vai estar «Under Satanae», disco onde a banda regravou a maqueta «Annu Satane» e o EP «Under The Moonspell».
    Antes, tocam Root e Kalashnikov (banda do cómico Jel). Os concertos começam às 20h00 e o preço dos bilhetes varia entre os 18 e os 20 euros.

    30 outubro 2007

    Valentim de Carvalho - reedições de álbuns históricos

    Uma boa notícia que o obrigatório Sound+Vision divulga:
    A Valentim de Carvalho vai encetar, a 19 de Novembro, uma série de reedições de álbuns históricos do seu catálogo, a maioria dos quais nunca antes editado em CD. Entre os primeiros títulos a surgir nesta primeira campanha destaca-se Independança (de 1982), álbum de estreia dos GNR, que surgirá com sete temas extra que correspondem às faixas dos singles de 1981 Portugal na CEE, Sê um GNR e do máxi-single Twistarte (1983). Com Independança saem, também com extras, os álbuns Álibi de Manuela Moura Guedes (1981), Qualquer Coisa Pá Música de Jorge Palma (1979), Mistérios e Maravilhas dos Tantra (1977) e uma antologia com a integral da obra dos Sheiks entre 1965 e 67.

    29 outubro 2007

    Patti Smith no Coliseu dos Recreios: Uma lenda entre clássicos

    Patti Smith assinou na noite de domingo um dos melhores concertos que Lisboa recebeu este ano. O regresso a Lisboa, após passagem pelo pavilhão Carlos Lopes em 2001, foi o mais feliz possível. Houve alma, empenho e comunhão total com o público que encheu o Coliseu e que ia das gerações mais novas, às mais batidas nestas coisas do rock. Patti está muito bem conservada, e muito bem acompanhada por uma excelente banda, convocou grandes almas do rock n'roll, dedicou um tema a Fernando Pessoa, elogiou a capital portuguesa, e virou a plateia ao contrário ao convencer o público a trocar as cadeiras pelos corredores de acesso ao palco.

    A última noite da digressão europeia de «Twelve» aconteceu em Lisboa, e foi um privilégio receber uma lenda do rock em tão boa forma mental, física, e vocal. Patti Smith sobe ao palco com mais de três décadas de carreira, mas revela a mesma vontade de ali estar de sempre. Aqui a expressão «animal de palco» faz todo o sentido para falar da maneira como Patti ocupa o espaço. A noite arranca com "Redondo Beach" e logo a plateia sentada corresponde. Patti sorri e mais para a frente vai até perto da primeira fila acenar, para mais tarde entrar pelos corredores entre as cadeiras para ir cumprimentando os seus fãs. Foi o mote para mais ninguém se sentar, e o espaço em frente ao palco foi invadido pelos mais rápidos. Quem só chegasse no fim nem percebia que a noite começou com a sala sentada.

    A música tem muita força, Patti Smith sabe-o melhor que ninguém e o que ela quer fazer hoje em dia é celebrar as grandes canções do rock, por isso anda a divulgar um álbum de versões de outros artistas, por isso anda pelo mundo a dar concertos que são um desfile de clássicos que não deixa ninguém indiferente. Ouvir «Are You Experienced?» de Jimi Hendrix, ou «Smells Like Teen Spirit» dos Nirvana mostra como a música atravessa gerações, e nos une à voz de Patti Smith numa celebração rara e preciosa.

    A sensação mais marcante deste encontro foi perceber que é possível estarmos num concerto de uma figura lendária e não existirem barreiras entre nós. Patti é uma das nossas, por isso canta para nós, e connosco. Junta-se aos seus fãs, canta no meio deles, dança com eles, e consegue manter a chama ordenadamente. Mais eficaz que dezenas de seguranças atrapalhados nos seus fatos e gravatas. Apesar de passar por versões de «Twelve», Patti Smith não ignora algumas das canções que lhe são associadas eternamente, por isso foi com euforia que se cantou «Because the Night», ou «Gloria», de Van Morrisson.

    Sempre com palavras simpáticas entre as músicas destaque-se o momento em que dedica uma canção a Fernando Pessoa, e para os elogios a Lisboa, cidade a que dedicou a sua escrita em tempos passados, altura em que até o seu falecido marido Fred Smith (ex guitarrista dos MC5) estranhava tanto interesse por Lisboa. Foram duas horas que passaram num ápice, e se momentos antes do início do concerto tinha sido um norte americano a descansar as almas benfiquistas, no fim da noite uma norte americana despedia-se do Coliseu mostrando como a força da música e das palavras podem proporcionar momentos inesquecíveis. Como este concerto.

    in disco digital

    Patti Smith na Plateia

    Um dos concertos do ano! Aqui fica um registo da altura em que Patti Smith resolve entrar pela plateia do Coliseu para cumprimentar os fãs sentados enquanto a sua banda continua a tocar:

    Patti Smith no Coliseu Lisboa: Fotos





    28 outubro 2007

    Mark Kozelek no Santiago Alquimista: O (en)canto de Kozelek

    A julgar pela boa afluência de público à sala do Santiago Alquimista ainda há por aí muita alma ancorada no imaginário das melancólicas canções que os Red House Painters construíram para uma imensa minoria durante a década de 90. Mark Kozelek tinha prometido interpretar temas da sua variada carreira visitando o repertório dos Painters, ou dos seus discos a solo, ou ainda dos Sun Kil Moon, e cumpriu para agrado de todos.

    Sem mesas e cadeiras em frente ao palco, o espaço do Santiago Alquimista registava numerosa presença de fãs, bem mais do que se viu na noite de Kurt Wagner, por exemplo, e o ambiente ficou mais caloroso para receber Kozelek.

    Postura curiosa do americano em palco. Sempre de pé, discretamente vestido de camisa clara e calças escuras, com um pé sempre mais adiantado que o outro, apenas com a sua guitarra, e de cabeça caída enquanto canta o seu reportório. Só não é o símbolo perfeito do músico solitário porque após um começo sozinho apareceu um companheiro que se sentou ao seu lado para o acompanhar à viola.

    Tudo começou tal como começa «Ghosts of the Great Highway», disco dos Sun Kil Moon, ou seja com o tema «Glenn Tipton», desta vez muito mais despido e intimista. No meio das canções Kozelek foi comunicando com a plateia, enquanto ia afinando as cordas, e pedia ajustes de som que apesar do ensaio da tarde acabou por dar trabalho extra em palco por razões deconhecidas segundo o próprio Mark.

    O seu grande trunfo é sem dúvida aquele timbre de voz inconfundível que nos remete logo para as enormes canções dos Red House Painters que toda a gente na sala parecia conhecer na íntegra. Foram duas horas entregues aos acordes, e à voz, de Kozelek que quando tocou «Tiny Cities», «Duk Koo Kim», «Gentle Moon», ou a versão dos The Cars «All Mixed Up», teve os fãs rendidos à sua melancolia. Com o avançar da actuação o ambiente ia ficando mais descontraído e os pedidos vindos da plateia sucederam-se.

    Tiveram sorte os que sugeriram «Katy Song», ou «Around and Around» já em período de encore, que fechou uma noite simpática, intimista, e que avivou memórias dos tempos em que o slowcore era moda. Terminado o concerto ouvia-se nas colunas do Alquimista o disco dos Spain, para que não restassem dúvidas.

    Na primeira parte, Sean Riley e os Slowriders apresentaram as canções do disco de estreia «Farewell». Sem particular brilho, acrescente-se.

    O Regresso de Miss Patti Smith a Portugal Hoje à Noite no Coliseu

    Patti Smith vai actuar hoje no Coliseu dos Recreios a partir das 21h30. O concerto deve servir de apresentação do disco de versões «Twelve».
    O preço dos bilhetes disponíveis varia entre os 25 e os 30 euros. A cantora esteve pela última vez em Portugal no Festival Número.

    27 outubro 2007

    Mark Kozelek Hoje à Noite no Santiago Alquimista

    Uma noite de canções intimistas no Santiago Alquimista é o que se espera neste regresso de Mark Kozelek a Lisboa.
    Ele que andou com os Red House Painters a divulgar música calma pelo anos 90 assume agora a solidão amaparada numa guitarra.
    Em entrevista ao Diário Digital disse que logo à noite conta tocar «Um pouco de tudo. Algumas antigas, outras novas e também versões.».
    É aí que também confessa paixão pela cozinha portuguesa, em particular o caldo verde!
    Hoje no Santiago Alquimista, às 21h30 com primeira parte de Sean Riley e dos Slowriders.

    26 outubro 2007

    O Vídeo Banido dos Duran Duran

    O regresso dos Duran Duran está a dar polémica. Pelo menos o vídeo do single de apresentação do novo álbum tem sido banido de várias cadeias de televisão.
    O videoclip de "Falling Down" tem imagens fortes e é polémico, marca o regresso dos Duran Duran aqui a contarem com ajuda de Justin Timberlake:

    A Blitz de Novembro

    25 outubro 2007

    Outras Sugestões Para Hoje à Noite

    A provar a grande diversidade de oferta que temos ao nosso dispor para a noite de quinta feira, já com fim de semana à vista, aqui ficam boas sugestões para mais logo:

    Soldiers Of Jah Army + Selecta Lexo + No Joke: Cascais - Coconuts
    WhoMadeWho: Lisboa - Lux
    Philharmonic Weed + Sanryse : Lisboa - Santiago Alquimista

    Hoje Arranca o Festival Jameson Urban Routes

    O MusicBox recebe a partir de hoje o festival Jameson Urban Routes até 3 de Novembro.
    Hoje, a entrada será gratuita para todos os que quiserem comparecer no Cais do Sodré. O bilhete diário para os restantes dias será de 10 euros e inclui a oferta de um Jameson.

    Hoje tocam Rocky Marsiano, Boozou Bajou (DJ) e Tiago Santos (DJ). O VJ será Edgar Alberto.

    Amanhã, é a vez dos Micro Audio Waves, Mike Stellar (DJ), Richard Dorfmeister (DJ) e Vince Varga (VJ). A 27, actuam Cool Hipnoise, Stereotyp com Al Haca, Selecta Lexo com Prince Wadada e o DJ Alatak.

    A 2 de Novembro, será a vez dos Bugz In The Attic e James Krohn com Melo D, com Moai como VJ. O festival encerra no dia 3 com os Nemo, Rui Maia (DJ, dos X-Wife) e Rui Murka, com X como VJ.

    in discodigital

    24 outubro 2007

    Quarteto 1111 no MusicBox: Lendas revisitadas

    Noite de festa, e casa cheia no MusicBox em Lisboa para celebrar o lançamento do livro dedicado à história do mítico grupo Quarteto 1111. Várias gerações de músicos, e apreciadores das raízes do nosso rock, misturaram-se num convívio animado que muito orgulhou António Pires, o autor do livro.

    O livro «As Lendas do Quarteto 1111» andava de mão em mão e amigos de longa data procuravam o autor para ficarem com uma dedicatória. Muitas caras conhecidas entre jornalistas e músicos, não tendo sequer faltado a presença de Luís Pinheiro de Almeida a quem António Pires dedicou um capítulo inteiro. Aliás, foi no grupo de conversas onde esteve Pinheiro de Almeida que se ouviram as histórias mais interessantes da noite, e onde se podia ouvir as explicações para as verdadeiras relíquias da música portuguesa que o DJ João Carlos Callixto ia passando. E deu também para ver o single em vinil que Cândido Mota passou há 40 anos no seu programa de rádio altura em que «A Lenda d'El Rei D. Sebastião» foi ouvido pela primeira vez. O single pertence a Pinheiro de Almeida que o levou para casa devidamente autografado.

    Foi precisamente a canção «A Lenda d'El Rei D. Sebastião» que foi mais celebrada. Abriu e fechou a pequena actuação do Quarteto 1111, que foi apresentado por Cândido Mota. Apesar de não contar com Tozé Brito, ausente por motivos profissionais em Nova Iorque o agora patrão da Universal não deixou de mandar uma mensagem lida por António Pires. Já o sempre enérgico José Cid comandou as operações, visivelmente satisfeito com o momento vivido e sentido.

    No fim ficou o anúncio de um grande concerto marcado para Novembro no Campo Pequeno em que José Cid contará com a presença dos outros 1111. Uma festa bonita à volta de um livro que é de aquisição obrigatória por quem se interesse pela música feita em Portugal.

    23 outubro 2007

    Coldcut no Casino Lisboa: Two Many VJ`s

    Os Coldcut inauguraram a temporada de concertos gratuitos às segundas feiras no glamoroso palco do Arena Lounge do Casino de Lisboa. Os lugares das mesas, e os espaços dos anéis que rodeiam o palco estiveram bem preenchidos por um público que se deixou entusiasmar pelo espectáculo de mistura entre som e imagens que a dupla inglesa apresentou com mestria.

    À partida os curiosos menos informados podiam ir à espera de uma apresentação do último disco dos Coldcut ao vivo. Eles já tinham avisado que não era essa a sua proposta para esta noite, mas mesmo assim tivemos direito a ouvir o single maior de «Sound Mirrors», editado no ano passado, «Walk A Mile In My Shoes», com a imagem de Robert Owens a aparecer nos ecrãs.

    Foi uma passagem recebida com agrado no meio de um set ousado em que Jonathan More e Matt Black misturaram sons e imagens de maneira impressionante, sincronizando os samples de som com as respectivas imagens de videoclips. A isto chamam «Journeys by VJ», um verdadeiro espectáculo audiovisual, em tratam, processam e editam ao vivo mais de mil samples de audio e vídeo!

    O resultado é entusiasmante, ouve-se em sequência, e às vezes em versão «mash up» trechos de grandes clássicos do Hip Hop e do rock de gente variada como AC/DC, Jimmy Hendrix, Run DMC, DJ Shadow, ou mesmo Rage Against The Machine. Sempre apoiados pelo MC Juice Aleem que ajuda à festa, criando momentos que nos chegamos a lembrar dos delírios dos 2Many DJ`s ao vivo.

    O objectivo de «Journeys by VJ» foi plenamente cumprido, apenas abafado pela tradicional falta de qualidade de som do Arena Lounge, e não é todos os dias que temos os ilustres fundadores de uma das mais emblemáticas editoras de música electrónica, Ninja Tune, a darem-nos música e imagens desta qualidade.

    António Pires e AS LENDAS DO QUARTETO 1111


    Tenho que começar por confessar que tenho o privilégio de ser amigo de António Pires, um jornalista que me habituei a ler, e que fui admirando ao longo de anos, especialmente no Blitz.
    Felizmente tive a oportunidade de o conhecer e ficar amigo dele. É um dos grandes transportadores de histórias, e da História, do jornalismo musical em Portugal. Como tal não admira que não esteja devidamente aproveitado num país que tão mal trata quem tanto sabe, e que idolatra personagens vãs.
    Se bem o conheço por esta altura ao ler estas linhas já deve estar todo atrapalhado e contestar tudo isto, porque é um homem tímido, modesto, e que não gosta destes elogios.
    Em Sines, no verão passado, contou-me sobre a edição deste livro. Fiquei logo entusiasmado com a ideia de ver documentada uma história de um tempo que não vivi, e que me interessa conhecer. Ainda não li o livro sobre as lendas do Quarteto 1111 mas pelo que tenho lido e ouvido nos espaços justificadamente dedicados a esta edição já deu para perceber que é imperdível.

    Hoje assinala-se a edição do livro com uma festa no Musicbox a partir das 22h, e com direito a concerto do Quarteto 1111. Deviamos lá ir todos e dizer obrigado ao António por não cruzar os braços e por nos contemplar com a sua prosa conhecedora. Eu vou.
    Espero que a generosidade do António não se fique só por este livro, que venham mais, e que ele continua a actualizar esse blogue de utilidade pública chamado Raízes e Antenas.

    22 outubro 2007

    Videos de Concertos do Sudoeste 2007

    Uma empresa espanhola, Central Musica, esteve em Agosto no Festival Sudoeste a gravar alguns concertos e agora tem vindo a disponibilizar os vídeos na sua página. Para já podemos recordar os concertos de:
    The Noisettes
    Sonic Junior
    Bonde do Rolê
    Wraygunn

    em: Central Musica ver na área de festivais

    Coldcut Hoje No Casino de Lisboa

    Os Coldcut serão a primeira banda a actuar no ciclo «Concertos Arena Live 2007», no Casino Lisboa, no próximo dia 22 de Outubro, pelas 22:30, inaugurando uma série de actuações, que se prolonga até ao final do ano.
    Com um original conceito de espectáculo, o grupo sobe ao palco do Auditório dos Oceanos, convidando o público a ouvir as suas composições inovadoras, criadas pelos produtores britânicos Janathan More e Matt Black, fundadores dos Coldcut há cerca de duas décadas.
    A dupla, em estreia absoluta em Portugal, será acompanhada por Raj Pannu e Juice Aleem, apresentando «Journeys by VJ», tratando, processando e editando mais de mil samples de áudio e vídeo ao vivo, revelando uma nova dimensão do que pode ser um «live act».
    Após o assinalável sucesso registado na sua primeira edição, «Concertos Arena Live» propõe onze concertos, nas noites de segunda-feira, protagonizados por um conjunto de artistas nacionais e estrangeiros, que prometem surpreender o público.

    O espaço vanguardista do Arena Lounge, que dispõe de múltiplas soluções técnicas para originais actuações ao vivo, será preenchido com diferentes conceitos e estilos musicais até Dezembro.

    21 outubro 2007

    Stress dos Justice Revisto em Hardcore

    O tema "Stress" do badalado disco dos Justice foi remisturado com competência por uma banda francesa hardcore. "Stress" é já um tema intenso na versão original aqui ganha nova vida e ainda mais forte. A ouvir:
    October Mixtape at Crackers United

    20 outubro 2007

    Vieux Farka Touré e Tinariwen no CCB: Areia do Deserto

    A noite tinha o nome de Festival Au Désert como tema. O Grande Auditório do CCB encheu para receber os sons do deserto, mais especificamente dos lados do Mali. A presença de Vieux Farka Touré, e dos Tinariwen pedia um ambiente envolvente diferente daqueles traços arquitectónicos, e sobretudo daquelas cadeiras incomodativas para quem queria reagir aos sons quentes, dançantes, e irresistíveis das guitarras que só pediam aos corpos que dançassem. Uma parte do público contornou a situação e ocupou as escadarias da sala para libertarem os instintos corporais acompanhando as vibrações dos blues africanos proporcionados por um surpreendente Vieux Farka Touré, e pelos excelentes Tinariwen.

    O nome Farka Touré pode ser uma pesada herança mas a verdade é que Vieux, segundo filho mais velho de Ali, o honra dando razão a Toumani Diabaté que o levou para a sua banda há anos mesmo sem o pai Ali ter achado muita piada porque não queria o filho nestas andanças onde Ali foi tantas vezes enganado antes do reconhecimento. Como se sabe Ali faleceu vítima de cancro há pouco tempo, mas ainda participou nas gravações do disco de estreia que Vieux apresentou esta noite em Lisboa.

    Acompanhado por bateria, viola, baixo e percussão, Vieux deu um grande concerto sempre seguro nas suas guitarras e violas acústicas, e viajando entre os blues, as raízes, e até passando por ramificações de reggae. Comunicou em francês, foi convencendo a plateia a abandonar as cadeiras para dançarem ao som das canções do seu disco, As influências estão lá todas, obviamente, mas Vieux consegue marcar o seu próprio terreno e saiu com a plateia completamente convencida.

    Os Tinariwen já são da casa. Já assinaram grandes concertos no nosso país e por isso foram recebidos calorosamente. Mesmo em versão mais reduzida, sem elementos femininos, os Tuaregues não facilitam e logo ao primeiro tema constroem aquele muro sónico de guitarradas hipnóticas que nos levam logo para o imaginário do deserto do Saara. As canções já têm o efeito de surpresa das primeiras apresentações porque já temos os discos em casa para matarmos saudades, mas a mestria com que tocam as suas músicas continua cheia de magia, e quase que sentimos a areia debaixo dos nossos pés.

    Um olhar disperso pela sala a meio do concerto denúncia nas galerias do lado direito um jovem alto, magro, de camisa aberta, boné vermelho, a dançar vigorasamente inclinando o seu corpo de tal forma que ameaça voar sobre a plateia sentada. No lado oposto numa galeria mais perto do palco uma jovem atrai muitos olhares pela maneira fascinante, e sensual que serpenteia o seu corpo ao som da música dos mulçumanos. É esta a essência de um concerto dos Tinariwen, a sua música invade-nos o corpo e a alma.

    A meio do concerto Vieux Farka Touré junta-se para um tema, a alegria estampada no rosto de Touré é absolutamente deslumbrante, e contrasta com as faces religiosamente tapadas dos Tinariwen. Esta gente é feliz, e usa a música para atingir essa felicidade. Vê-se e sente-se.

    A partir daí a actuação dos tuaregues ainda subiu mais de intensidade, a passagem pelos disco editado este ano «Aman Iman_ Water is Life» foi arrebatadora e levou a que todo o público se levantasse e assim ficou até ao fim.

    Um cheiro intenso a deserto, a felicidade em forma de música trazida pelos grandes homens de África.

    in disco digital

    David Sylvian no CCB Cancelado!

    O Disco Digital avança que o concerto de David Sylvian no Centro Cultural de Belém foi cancelado, por motivo de doença do músico. Em breve, será anunciada uma nova data.
    Os bilhetes adquiridos para o concerto de dia 21 de Outubro são válidos para a nova data. Quem estiver interessado na devolução do dinheiro deverá dirigir-se às bilheteiras do CCB.

    19 outubro 2007

    Blues do Deserto Hoje no CCB

    Noite de blues do deserto para ver e ouvir no Centro Cultural de Belém. É o regresso do excelente som dos tuaregues Tinariwen ao nosso país. Eles que assinaram um dos primeiros concertos acompanhados aqui no blogue no ano passado e que pode ser recordado aqui: Tinariwen @ Club Lua.
    Além dos Tinariwen vamos poder ver Vieux Farka Touré que promete ser uma grande revelação no palco do CCB. Filho do mítico Ali Farka Touré, é com as guitarras eléctricas e acústicas que se destaca.
    Um grande serão em perspectiva.

    18 outubro 2007

    Kurt Wagner no Santiago Alquimista em Lisboa: Do Génio à Monotonia

    Kurt Wagner regressou a Lisboa desta vez sozinho sem os restantes elementos dos Lambchop e encontrou uma sala bem composta de admiradores sentados e prontos para receber novas músicas, e clássicos despidos só apoiados na voz e guitarra. O que parecia ser uma boa ideia acabou por se arrastar para a monotonia de um concerto demasiado longo, e experimental.


    Na véspera da visita a Lisboa, Kurt Wagner dizia ao Disco Digital: «Desta vez, sou só eu e a guitarra mas não me quero desligar dos Lambchop e aliás essas são as canções que vou interpretar. Acima de tudo, clássicos da banda. Espero que haja interacção com o público até porque a distância é menor. Quem sabe se não vou convidar alguém para me acompanhar em palco». Isto motivou os mais fiéis seguidores dos Lambchop que terão ficado algo desiludidos com o facto de terem ouvido poucos clássicos, muitos temas desconhecidos, e uma interacção fraca com o público.

    Este foi o primeiro concerto neste formato a solo que Kurt deu na Europa, e ficou a ideia que serviu um pouco de experiência. Desfilou muitas canções novas, e não foi intercalando com temas esperados pela plateia que chegou a pedir as melhores músicas dos discos «Is a Woman», ou «Nixon», por exemplo.

    O problema esteve na duração excessiva do concerto com um alinhamento mal pensado. Quase duas horas naquele registo torna-se cansativo para quem assiste, juntando o facto de estarmos a meio da semana de trabalho e Kurt só ter começado a tocar perto das 23h15. Acabou por ser a monotonia a vencer alguns momentos brilhantes que Kurt consegue arrancar.

    Aliás, o vocalista dos Lambchop esteve impecável na comunicação, simpatia, e competência, acabando a noite a dar autógrafos na porta de saída do Santiago Alquimista.

    Mas o que se pedia para uma noite destas era uma escolha mais selectiva dos temas a tocar, uma duração menos extensa, e mais intensidade. Assim tivemos o privilégio de assistir ao que será um ensaio de Kurt metido na solidão do seu quarto algures no outro lado do Atlântico enquanto fuma uns cigarros, e pendura as letras de cada canção que acaba de tocar num estendal improvisado à sua frente.

    Privilégio interessante mas algo maçador.

    Que regresse depressa com os Lambchop.

    in Disco Digiral

    Kurt Wagner no Santiago Alquimista: o Vídeo