08 maio 2008

Deolinda no Cinema São Jorge: Movimento Perpétuo Associativo

Fique sabendo o estimado leitor que se aventurou em vir espreitar esta crónica que acaba de ganhar o dia. Isso mesmo. Se está a ler estas linhas é porque se interessa por música, e se quer saber como correu o espectáculo da Deolinda no São Jorge não só fica a saber que foi um excelente concerto, como vai ficar com vontade de ver e ouvir com os seus próprios sentidos este quarteto tradicionalmente português.

Os discretos adereços de palco denunciam bem o que ali se vai passando. Um misto entre o que é tradicional, e a caricatura do povo. Por isso não faltam naprons brancos por cima das colunas de palco, uma mesa com moldura, flores, e napron, ao que junta as indumentárias dos músicos, em especial da vocalista Ana Bacalhau. E falar da Deolinda é falar de Ana Bacalhau.
É ela que dá voz, corpo, e alma ao projecto. A voz é de um poder surpreendente. Às vezes faz lembrar Teresa Salgueiro, outras vezes soa-nos a voz de fadista batida em casas de velhos bairros lisboetas. Tudo isto numa só jovem que expressa toda a sua irreverência com gestos certos, e expressivos, e que combina a ironia com a liderança firme do evento. Além disto ainda tem o mérito de ter inventado a melhor alcunha para as plateias nacionais; ferrinhos! É isso mesmo, aquela mania das palminhas a acompanhar é mesmo de ferrinhos.

A música da Deolinda não é a última invenção maravilhosa da fusão entre fado e outras escolas, não resulta em nenhuma descoberta cientifica. Mas também não é mais do mesmo a que estamos habituados a ver e ouvir. Há aqui um toque discreto de disfarce que leva a Deolinda a viajar a partir da génese do fado em várias direcções. Sem grande dificuldade vamos indentificando ao longo da noite tiques de Pascal Comelade, ambientes das caraíbas, aproximações ao samba, e raízes da chamada música popular. Há uma espécie de marcha popular, há fados tristes que enganam, há histórias de amor em autocarros, há fados transformados em axé com pronúncia, e há , pelo menos, três pérolas que se não forem descobertas por toda a nação é porque não há justiça. A saber; «Fado Toninho», «Movimento Perpétuo Associativo» que a vocalista diz que ainda vai ser o hino nacional, e «Fon Fon Fon».

A canção «Movimento Perpétuo Associativo» é genial e devia mesmo ser o hino nacional, por um lado aquela velha determinação revolucionária bem tuga de "vamos lá mudar isto tudo de vez", por outro as velhas desculpas do "hoje não dá que está a chover", ou "hoje não que joga o Benfica". Melodiosa, irónica e certeira.
Por outro lado quem resiste a balançar ao som de «Fon Fon Fon» só pode estar surdo.
Tudo nos soa a familiar mesmo que seja a primeira audição, tudo nos parece óbvio, e é esse o grande mérito da Deolinda que agarrou num universo musical que é o nosso, e gira em torno dele impondo a sua marca. Tão eficazmente que nem se percebe como é que ainda ninguém se tinha lembrado disto. Claro que com uma voz como a de Ana Bacalhau as canções ganham uma aura especial. E não vale só ir comprar o disco, ou ouvir as canções do myspace da banda.
O leitor lembre-se que enquanto não vir a Deolinda ao vivo, o seu ano de 2008 , musicalmente, não faz sentido.

Deolinda @ Cinema São Jorge: o Vídeo

07 maio 2008

Hercules and Love Affair no Alive!

Dia 10 de Julho um os responsáveis por um dos bons discos lançados em 2008 vão actuar em Lisboa. Hercules and Love Affair estão confirmados no Festival Alive!.

Deolinda no Cinema São Jorge


Proposta para a noite de hoje. Os Deolinda vão apresentar o seu disco de estreia no cinema São Jorge. A banda de Ana Bacalhau veste muito bem a pele do fado disfarçado de pop bem humorada com letras à altura.
Para conhecer hoje às 21h30 no São Jorge.

06 maio 2008

Asian Dub Foundation - Punkara em Avanço



Os Asian Dub Foundation estão de volta. E a boa notícia pode ser confirmada neste link:
Asian Dub Foundation - Punkara

05 maio 2008

Einstürzende Neubauten: Trabalhos oficinais

A oficina dos Einstürzende Neubauten assentou no palco da Aula Magna para mais uma demonstração da conjugação sonora entre o caos e o silêncio guiada pelo mestre Blixa Bargeld. Alinhamento à volta dos discos mais recentes da banda alemã que continua a corresponder a todas as expectativas dos seus fãs portugueses. Resultado? Mais um excelente concerto dos Neubauten por cá.

Uma visita dos Einstürzende Neubauten a Lisboa, na véspera tinham actuado na esgotada Casa da Música no Porto, é sempre motivo de atracção para as diferentes gerações que acompanham a carreira da banda de Berlim desde 1980. Esta noite a Aula Magna não esgotou mas registou a presença da plateia mais esclarecida e respeitosa de que nos lembramos de ver. O respeitinho é muito bonito e Blixa Bargeld impõe-o com a sua forte presença nos comandos da oficina electromecânica.
Os Neubauten apresentaram as suas composições mais recentes com natural incidência para Alles Wieder Offen.

Já se sabe que um concerto actual da banda já não tem o caos ruidoso de outros tempos, agora há um equilíbrio bem montado entre esboços de canções, murmúrios, guinchos, ou poderosas explosões industriais que caracterizam os Neubauten.
Talvez seja o caminho mais óbvio para a ilustração destas palavras, mas o melhor exemplo a dar é a fabulosa interpretação do surpreendente «Let's do it a Dada» do último disco editado que absorve em si um pouco de todas as componentes ao vivo do grupo.

Em palco só se sente tensão nos momentos mais ruidosos quando a banda entra em ebulição fazendo uso de todos os materiais dispostos em palco. No intervalo da música os Einstürzende Neubauten mostram-se acessíveis, bem humorados, e completamente descontraídos, apenas concentrados na missão de interpretar as suas composições na perfeição, o que nem sempre aconteceu como se percebeu por alturas de «Weil Weil Weil». Blix aproveitou mesmo para ir explicando ao longo da noite os processos de criação da banda suportados financeiramente pelos seus fãs que são compensados com acesso prioritário a discos, e outros bónus. Além de ter anunciado que o concerto estava a ser gravado em dois cds que seriam vendidos logo após a actuação, tal como já tinha acontecido na passagem pelo CCB há poucos anos.

Para o fim ficou um momento teatral em que resolvem pôr em prática um jogo com o objectivo de criar nova música. Um momento de improviso guiado por tarefas individuais tiradas à sorte de um saco preto com o logo da banda. Depois cada elemento tratou de interpretar a sua tarefa resultando numa peça musical de difícil explicação mas muito aplaudida. Ainda se seguiu a explicação individual de cada músico para o que tínhamos acabado de assistir. Com muito humor à mistura, e com sinceros agradecimentos, e elogios, da banda ao público. Desta vez totalmente merecidos, e justificados.

Einstürzende Neubauten - O Concerto da Aula Magna em Dois Discos


Aqui está a gravação do concerto desta noite dos Einstürzende Neubauten na Aula Magna:

Alles Wieder Offen (2008) Tour ( disco 1 )

Alles Wieder Offen (2008) Tour ( disco 2 )

04 maio 2008

Einstürzende Neubauten Hoje na Aula Magna

Os Einstürzende Neubauten estão de regresso a Portugal para um concerto na Aula Magna, que serve de apresentação ao mais recente «Alles Wieder Offen».
Hoje à noite.

03 maio 2008

Blitz Maio

REBEL REBEL A TRIBUTE TO DAVID BOWIE

UNCUT MAGAZINE PRESENTS REBEL REBEL A TRIBUTE TO DAVID BOWIE PROMO CD
12 TRACK CD MAGAZINE NOT INCLUDED

TRACK LISTING

1.SIGUE SIGUE SPUTNIK - REBEL REBEL
2.THE SEA & CAKE - SOUND & VISION
3.THE LAST TOWN CHORUS - MODERN LOVE
4.KING CRIMSON - HEROES
5.JOHN HOWARD - THE BEWLAY BROTHERS
6.ED KUEPPER - THE MAN WHO SOLD THE WORLD
7.BRETT SMILEY - KOOKS
8.LA GUNS - MOONAGE DAYDREAM
9.EATER - QUEEN BITCH
10.MOTT THE HOOPLE - ALL THE YOUNG DUDES
11.NICO - HEROES
12.MERCURY REV - MEMORY OF A FREE FESTIVAL

(Note: There was a last minute production 'hiccup' resulting in the transposition of the tracks by Last Town Chorus and King Crimson, their appearance on the CD now not matching the tracklisting on the sleeve).

link: REBEL REBEL A TRIBUTE TO DAVID BOWIE

02 maio 2008

01 maio 2008

DOIS ANOS DE GRANDES SONS



Há dois anos inaugurava eu este modesto espaço falando de um disco. A coisa pegou, o tempo foi passando, e já lá vão dois anos de vida!
Hoje o Grandes Sons está de parabéns. Mais de 1300 posts depois é altura de agradecer a todos que passam por aqui regularmente para lerem sobre discos, concertos, saber da agenda, ouvir músicas sugeridas, e outras coisas a ver com sons.
Muito obrigado e podem contar com a continuação deste blogue.

30 abril 2008

José Gonzalez @ Aula Magna

Concerto bem simpático de ontem à noite na Aula Magna com José Gonzalez a arrastar muito público para assistir ao concerto.
Tudo contado pelo companheiro João Moço:
José González na Aula Magna: Num prado sueco

29 abril 2008

Vampire Weekend em Lisboa no dia 10 de Julho

Vampire Weekend também em Lisboa para tocarem no Festival Alive!. Óptima notícia.

Hoje Há José Gonzalez

José Gonzalez dá hoje o primeiro de dois concertos em Portugal na Aula Magna. O músico sueco vem apresentar o álbum «In Our Nature».
José Gonzalez esteve na edição de 2006 do Sudoeste, ano em que também acompanhou os Zero 7 em palco. Amanhã, o espectáculo repete-se no Teatro Sá da Bandeira, no Porto.
Em ambas as datas, a primeira parte é assegurada pelos portugueses Sean Riley & The Slowriders. Para Lisboa, o preço dos bilhetes varia entre os 22 e os 30 euros enquanto para o Porto se fica pelos 22.

in disco digital

De Volta

De regresso à realidade portuguesa.

24 abril 2008

Até Dia 28

Hoje, dia em que festejo o meu 35º aniversário, anuncio aos clientes habituais deste espaço que até dia 28 vai haver o som do silêncio por aqui. Uns dias em Madrid, e regresso marcado para o próximo dia 28.
Até lá.

23 abril 2008

Mão Morta Apresentam Maldoror em Lisboa

Os Mão Morta vão apresentar o espectáculo «Maldoror» hoje na Culturgest, a partir das 21h30.
Apesar de ser a estreia em Lisboa, esta é a penúltima ocasião em que se vai poder ver Maldoror, que depois regressa a casa, ao Theatro de Circo de Braga, onde foi estreado. O CD respectivo vai estar à venda, numa edição que é limitada a 2 mil exemplares.
No final da digressão, vai ser também comercializado um DVD com imagens dos concertos. Para hoje, os bilhetes já se encontram esgotados.

in disco digital

22 abril 2008

Nick Cave no Coliseu: Um brilhante fucking disaster


(foto: Rita Carmo, in Blitz)

Um Coliseu completamente esgotado recebeu, acarinhou e rejubilou com o regresso de uma das figuras mais queridas e míticas do rock. Nick Cave e os Bad Seeds deram o pontapé de saída da nova digressão em ambiente de grande descontracção, com o vocalista bem disposto e motivado para um concerto de 2h e meia de duração, e um desfile de mais de duas dezenas de canções.

A meio do concerto recebo um sms de uma amiga perdida no meio da enchente do Coliseu que dizia "Este psicopata é brilhante.". Partilho esta intimidade porque foi uma frase que me acompanhou no resto do concerto. A figura de Cave inspira mesmo a comentários destes, toda aquela sua teatralidade expressa em gestos com os braços, curvando o corpo em danças descoordenadas, os diálogos irónicos com a plateia, os recados, e dedicatórias para os camarotes ao lado do palco, tudo somado faz dele uma enorme figura rock n' roll da velha escola.

Nick Cave enche o palco com a sua presença, até aquele bigode lhe assenta bem, embora o espaço esteja bem preenchido com os músicos Bad Seeds os olhares centram-se nos movimentos do homem, às vezes Warren Ellis com a sua imponente barba também brilha, e quando tudo arrancou ao som «Night of the Lotus Eaters» deu logo para ver que íamos ter mais uma noite de celebração.

As duas horas e meia foram naturalmente preenchidas na sua maioria pelos temas do novo disco «Dig, Lazarus, Dig!!!» já bem assimilados pelos fãs, com um aparato luminoso e visual bem ao estilo do grafismo do álbum.
Apesar da adesão às novas canções é claro que foi quando Nick Cave fez incursões pelo seu passado discográfico que as emoções andaram mais á solta pelo Coliseu. Foi ver o povo a cantar clássicos como «Papa Won’t Leave You», «Tupelo», «Deanna», «The Ship Song», «Henry», ou «Stagger Lee», em comunhão com o seu líder, e a marcarem com emoção mais este regresso a Portugal.

Há que dizer que a entrega da banda foi irrepreensível, e por ser a noite de estreia desta digressão desculpam-se as várias falhas, e alguma descoordenação entre as músicas, e nos seus arranques. Aliás, Cave foi o primeiro a reconhecer que nem tudo estava a correr bem chegando a apelidar a prestação como um "fucking disaster". E mais à frente com mais uma falso arranque da banda ainda atirou aos companheiros um "you fucking idiots".
Exageros à parte o carisma do homem tudo resolve, e depois de um alinhamento de 16 canções houve tempo, e vontade, para um encore de cinco temas, e um outro final com mais três. Destaque nesta parte final para a versão de uma canção que Bob Dylan fez para Johnny Cash, para o intimo «Into My Arms», «Albert Goes West» que Cave estava na dúvida se tinha sido escrita por Bobby Gillespie dos Primal Scream, ou Jarvis Cocker, e a noite encerrou com «Nobody’s Baby Now».
Mais de que um concerto, a celebração ao vivo com uma enorme figura.
Hoje é a vez do Porto.

in disco digital

Nick Cave & Bad Seeds no Coliseu de Lisboa: O Alinhamento

1. Night of the Lotus Eaters
2. Today’s Lession
3. Red Right Hand
4. Dig, Lazarus, Dig!!!
5. Tupelo
6. Moonland
7. Deanna
8. The Ship Song
9. Jesus of the Moon
10. Lie Down Here (& Be My Girl)
11. I Let Love In
12. Papa Won’t Leave You, Henry
13. Midnight Man
14. More News From Nowhere
15. Get Ready For Love
16. Stagger Lee

ENCORE 1

17. The Lyre of Orpheus
18. Wanted Man
19. Your Funeral My Trial
20. Straight To You
21. Into My Arms

ENCORE 2

22. We Call Upon The Author
23. Albert Goes West
24. Nobody’s Baby Now

21 abril 2008

Nick Cave & Bad Seeds Hoje no Coliseu de Lisboa

Nick Cave e os Bad Seeds vão iniciar hoje a sua digressão europeia com um concerto no Coliseu dos Recreios. Os bilhetes estão praticamente esgotados.
O músico vem apresentar o mais recente álbum «Dig, Lazarus, Dig!». Amanhã, o concerto repete-se no Coliseu do Porto.

20 abril 2008

19 abril 2008

A Naifa @ Teatro Maria Matos: Uma inocente inclinação para a perfeição

A Naifa faz parte da solução de respostas à preocupação sobre como defender as nossas raízes musicais modernizando-as, e empolgando um público exigente.
Ao fim de três discos já não é possível ignorar o conceito de música que A Naifa propõe, não se pode passar ao lado de uma combinação tão perfeita entre a guitarra portuguesa, uma linda voz feminina, e canções de corpo e alma. Lisboa rendeu-se a uma música que tem muito do seu fado, e A Naifa triunfou a toda a linha nesta primeira noite de apresentação do seu novo disco no Teatro Maria Matos.

Quem os viu a dar os primeiros tímidos passos há quatro anos carregando «Canções Subterrâneas» não pode evitar um sorriso aprovador ao constatar a força que a vocalista Mitó ganhou em palco. Agora toda ela é projecção de voz, e alma, as canções ganham uma cor viva apresentadas ao vivo.
O prazer que dá ver Luís Varatojo a dominar a guitarra portuguesa, e especialmente, João Aguardela todo expansivo acompanhando tudo na perfeição com o seu baixo, só é comparável à simplicidade com a música de A Naifa nos invade o cérebro, e nos reaviva a memória de outros tempos em que o fado era uma marca deste país.

Os novos temas de «Uma inocente inclinação para o mal» soam muito bem ao vivo. O facto de serem agora assinadas por uma só autora dá uma maior interligação entre elas, e na verdade todas as novas canções convivem muito bem com as mais antigas do disco de estreia do «3 minutos antes de a maré encher».
Está aqui um projecto sólido, já bem oleado em palco, bem representativo da música portuguesa cantada em português, actual, e com marcada identidade lusa que as cordas da guitarra portuguesa ajudam a expressar.

Muito mérito para A Naifa que encheu o Teatro Maria Matos mostrando a sua cortante força, e confirmando-se como grupo que merece todos os elogios pelo excelente trabalho que tem vindo a fazer, tanto nos discos, como nos palcos por esse país fora onde tem finalizado as suas actuações com uma bela versão de "A Desfolhada".
A não perder de vista brevemente em Sesimbra, e Portalegre. Hoje segunda noite na capital.

18 abril 2008

Gilberto Gil no Coliseu : Uma Aula Cantada

Um privilégio poder estar num Coliseu de Lisboa como se fosse uma enorme sala de aula a contemplar um sábio mestre ali sozinho em palco com o seu violão pronto para nos dar uma lição sobre a cultura da música popular brasileira, os seus estilos, e derivados. O sistema de ensino foi muito simples uma introdução falada, e depois o exemplo cantado, e tocado. Sempre assim a noite fora, para uma plateia que não esgotou a sala, mas representava bem os fãs portugueses, os saudosos brasileiros, e nem faltou o ministro da cultura. O nosso, claro, bem discreto a contrastar com a luminosidade do seu homólogo brasileiro.

O pretexto é o disco intimista «Luminoso», lançado em 2006, que Gilberto tem andado a apresentar pelo mundo fora. Agora na Europa não podia falhar a visita a Portugal. Hoje foi o Coliseu de Lisboa, segue-se o do Porto e Serpa.
O conceito é o mais simples possível, Gil sentado sozinho a tocar violão e a desfilar clássicos da sua carreira.
Depois o concerto cresce e junta-se em palco o filho Ben, que o acompanha na viola acústica, e podemos ser surpreendidos por versões de «I'm 64» dos Beatles, ou de temas de Bob Marley a fazer lembrar a revisitação do brasileiro ao mundo de Bob no disco «Kaya».

Gilberto Gil é ministro da cultura do Brasil, e é um homem do mundo que divulga a sua cultura com uma paixão, e sabedoria fascinantes. Ele aproveita o ambiente intimista para apostar no formato diálogo-canção-diálogo. Cada diálogo é uma explicação para o que vamos ouvir, sendo que há uma altura em que viajamos por diferentes tipos de Samba. Por exemplo, o samba Rock, o aamba de breque, o samba canção, a bossa nova, e para cada explicação sobre o derivado vinha uma canção a ilustrar. O mesmo fez para ilustrar o Baião, outro estilo brasileiro, altura em que aproveitou para homenagear Luiz Gonzaga, o chamado Rei do Baião da década de 1940. Para trás já tinham ficado referências a lendas como João Gilberto, António Carlos Jobim, ou Caetano Veloso.

Neste ambiente ouviram-se versões acústicas de clássicos da música popular brasileira como «Exotérico», «Super-Homem», «Metáfora», «Expresso 2222», «Maracatu Atômico» e «Aquele Abraço», entre outras. Também houve espaço para espreitar o futuro em «Despedida de Solteira», canção em estilo xote que faz parte do novo disco a ser lançada em julho, e apresentar mais uma canção dedicada à sua companheira, Flora, de título «Faca e Queijo».

Uma autêntica aula sobre música, e cultura brasileira, a justificar plenamente «Aquele abraço».

A Naifa Hoje no Teatro MAria Matos

O colectivo A Naifa vai apresentar o novo álbum «Uma Inocente Inclinação para o Mal» hoje e amanhã no Teatro Maria Matos.
O terceiro disco foi trabalhado com apenas uma letrista: Maria Rodrigues Teixeira. Ambos os concertos estão marcados para as 21h00.

17 abril 2008

Gilberto Gil Para ver e ouvir Hoje no Coliseu de Lisboa

O grande mestre da música brasileira mostra-nos ao vivo “Luminoso”. Que é nome de espectáculo intimista – apenas Gilberto e o seu violão, acompanhados pelo seu filho Bem Gil. “Luminoso”, que é também nome de disco, e disco especial: gravado em 1999, mas apenas editado em 2006/2007, expõe-nos revisitações de temas de toda a carreira de Gilberto Gil, agora em versões despidas e ainda mais aprofundadas.

São 15 canções que servirão de base para os espectáculos de Portugal (mas a que se juntam também outros clássicos), e que regressam a temas caros ao pai do Tropicalismo. “Copo vazio”, “Preciso aprender a só ser” ou “Aqui e agora” são reflexões que nos permitem, a nós que estamos em frente ao palco, (re)conhecer o homem que as compôs, e nos levam a querer perceber quem somos nós. Tudo sempre ao som de uma voz em que o passar dos anos foi afinal acumulando não só de sabedoria, mas também de graça e carinho. De verdade.

Abril em Portugal, estação para reencontrar um nome que nunca foi domado, nem na vida, nem na política, nem na música. Gilberto Gil, o “Luminoso”, que nos vai acender as emoções com (como ele diz no disco) “a magia verdadeira do todo-poderoso amor”.”

16 abril 2008

Camané na TimeOut

Camané é o director da revista TimeOut Lisboa que hoje chegou às bancas. O fadista edita o seu novo álbum na segunda-feira.
A não perder.

15 abril 2008

The National Tambem em Guimarães

Os The National vão actuar no Centro Cultural Vila Flor, a 18 de Julho, adianta a edição de hoje do jornal Público.
O concerto faz parte do evento Manta, que se realiza desde 2006. Os bilhetes para o festival Manta custam 10 euros (um dia) e 25 euros (três dias), encontrando-se à venda em Guimarães, no Centro Cultural Vila Flor e no site oficial da sala.
in disco digital

14 abril 2008

Dead Combo Apresentam Lusitânia Playboys às 18h30 na Fnac Chiado

Os Dead Combo, formados pelo contrabaixista Pedro Gonçalves e pelo guitarrista Tó Trips, actuam na hoje na FNAC Chiado às 18h30, no âmbito de uma curta série de apresentações ao vivo do novo álbum de originais.
Até 04 de Maio, "Lusitânia Playboys", o terceiro álbum do duo, hoje à venda, será ainda apresentado em mais oito lojas FNAC de norte a sul do país.

Uncut Maio


Uncut

13 abril 2008

12 abril 2008

11 abril 2008

E Trazer Cá o Paul Simon?

Não? É pedir de mais?

10 abril 2008

Andersen Molière em Vídeo

Regresso ao destaque aos Andersen Molière com a publicação de um pequeno vídeo gravado durante o concerto deles no passado sábado no Teatro Mundial.
Para quem não leu sobre este surpreendente espectáculo é favor dar uma olhadela aqui:
Andersen Molière

09 abril 2008

08 abril 2008

MGMT no Alive

Ainda há poucos dias os destacava aqui e agora são confirmados para o Festival Alive!
Excelente notícia, MGMT em Algés.

Duran Duran no Super Rock

No dia 10 de Julho os Duran Duran juntam-se ao cartaz do Festival Super Rock Super Bock que está assim ordenado:

Super Bock Super Rock Lisboa

Dia 9 de Julho
Iron Maiden
Slayer
Avenged Sevenfold
Rose Tattoo
Lauren Harris
Tara Perdida

Dia 10 de Julho
Beck
Mika
Duran Duran
Mesa com Rui Reininho
Digitalism
DJ Tiësto

Super Bock Super Rock Porto:

4 de Julho
Xutos & Pontapés com Orquestra do Hot Club
ZZ Top
Love and Rocktes
David Fonseca
Crowded House
Pete The Zouk (after-hours)

5 de Julho
Jamiroquai
Paolo Nutini
Morcheeba
Jorge Palma
Clã
Brand New Heavis
Sexy Sound System (after-hours)

07 abril 2008

The Mars Volta em Paredes de Coura

Os The Mars Volta são a mais recente aquisição para o cartaz do Paredes de Coura que está assim configurado até à data:

31 DE JULHO
SEX PISTOLS
MANDO DIAO
THE WOMBATS

1 DE AGOSTO
PRIMAL SCREAM
THE RAKES
THE LONG BLONDES

2 DE AGOSTO
THE MARS VOLTA
dEUS

3 DE AGOSTO
THIEVERY CORPORATION

06 abril 2008

Andersen Molière @ Teatro Mundial


Andersen Molière é um estranho nome para identificar um projecto de jovens músicos portugueses. Estranho mas inteligente, e que faz sentido depois de os vermos a actuar ao vivo. Uma agradável surpresa, uma promessa original, e uma sensação de termos descobertos um segredo valioso bem guardado, é o rescaldo que se pode fazer após a apresentação no sábado à noite dos Andersen Molière na sla 3 do Teatro Mundial em Lisboa.

O quinteto entra timidamente discreto, e ocupa o palco de maneira curiosa. Quando iluminados percebe-se o cuidado nos trajes que envergam. Impecavelmente vestidos com roupas de outras eras tomam os seus lugares cuidadosamente preparados. Os dois homens das violas, e vocalistas, sentam-se nas duas extremidades do palco virados para dentro. No meio há um sofá onde brilha a acordeonista que dá um encanto feminino ao grupo. Ao seu lado esquerdo senta-se no braço do sofá o baixista, o mais discreto, e do lado direito está o irrequieto, e excelente, violinista que é capaz de arrancar do palco para o meio da plateia, literalmente, embalado nos seus próprios acordes.
O quadro é este. Como se pode imaginar bem original.
Depois vem a música que consegue cativar e surpreender ao mesmo tempo. Há canções cantadas em português com letras que justificam a saudável exporação da filosofia bem humorada, e há instrumentais que chegam a atingir níveis verdadeiramente entusiasmantes capazes de empolgar toda uma sala. O destaque vai para as versões exploradas de Astor Piazzolla, ou de Enio Morricone, onde o acordeão solta o talento de todos os músicos. O que acontece na perfeição no tema original do grupo o "Bobo e Rei", quando parte a instrumental ganha asas.

Há aqui boas ideias, bons músicos, talento, e um conceito interessante e original com pernas para andar. É de manter os Andersen Molière debaixo de olho, e ver como evoluem. Para confirmar já no próximo mês no Santiago Alquimista.

Vampire Weekend no Porto

Uma das bandas mais interessantes da actualidade, os estreantes Vampire Weekend, anunciam um concerto na Casa da Música no Porto no seu site oficial.
É a 30 de Maio.