13 agosto 2008

Cut Copy: O Som Oficial do Verão 2008

E a grande revelação do Sudoeste 08. Os australianos Cut Copy são o som do momento com a mistura de estéticas da década de 80 a soarem a som actual. Concerto inesquecível, disco imperdível.
Fica o teledisco Hearts on Fire:

12 agosto 2008

A Europa está a fechar as portas aos Músicos

Muito interessante artigo publicado hoje no Público sobre um problema que cada vez se torna mais grave e revoltante. Em Sines os organizadores já se tinham manifestado com um cartaz na entrada do Castelo, hoje o Público dá uma ajuda a esclarecer o que se passa:

Os africanos e os asiáticos são os que somam mais recusas de vistos para actuar na Europa. Sobretudo se são homens e jovens. As negas acontecem quando já foram compradas passagens áreas e feitas reservas em hotéis. Promotores de festivais começam a desistir de ir buscar músicos longe. Poderá estar em causa uma convenção da UNESCO aprovada pela UE

Festivais sem cabeças de cartaz, confusão instalada, agências à beira da falência. São cada vez mais os músicos estrangeiros, sobretudo de África e da Ásia, que estão a ser impedidos de entrar na Europa. As garantias dadas pelos seus produtores na União Europeia e pelos promotores dos festivais onde deviam participar não são suficientes. E eles são barrados algures no trajecto. Começará a Europa a "baixar os braços" e a desistir de quem vem de longe?

"Com os artistas africanos a questão é o receio da imigração ilegal; com os árabes o terrorismo", resume Vasco Sacramento, promotor do Festival Med de Loulé, que este ano viu ficarem pelo caminho dois dos seus cabeças de cartaz devido à recusa ou a dificuldades em obter vistos.
O mesmo aconteceu no Serralves em Festa e no Festival Músicas do Mundo, em Sines. No conjunto, em Junho e Julho foram afectados quatro concertos envolvendo três bandas: os congoleses Konono n.º1; os marroquinos Master Musicians of Jajouka e os paquistaneses Asif Ali Khan & Party.
Em escala maior, a situação tem vindo a repetir-se por toda a União Europeia. Nos últimos meses, pelas mesmas razões, não puderam actuar na Europa, entre vários outros, os Kasai Allstars, do Congo, Pierre Akendengué, do Gabão, Ismael Lo, do Senegal, Les Amazones, da Guiné.

Os Master Musicians são os herdeiros de um tradição musical que tem passado de pais para filhos desde há mais de mil anos. São do clã Attar, que fundou a aldeia de Jajouka nas montanhas do Rif. Não são músicos profissionais, pelo menos segundo os parâmetros ocidentais. Serão antes guardiões de "sons primordiais", como escreveu, sobre eles, o escritor beat William Burroughs. Paul Bowles também se rendeu. No ano passado, os Master Musicians estiveram em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, para homenagear o escritor que trocou os EUA e a Europa por Tânger. Há três anos tocaram no festival de Sines.

"Tivemos imensos problemas em obter vistos para eles. Foram obrigados a ir duas sou três vezes ao nosso consulado de Rabat e quando finalmente, já na posse dos vistos, chegaram ao aeroporto de Lisboa, foram detidos pelo Serviço de Estrangeiros durante três horas", conta Carlos Seixas, promotor do festival de Sines.
Jajouka fica a várias centenas de quilómetros de Rabat. Este ano, terá sido acrescentado mais um documento à lista dos exigidos nas duas vezes anteriores. "Quando finalmente se conseguiu marcar uma entrevista no consulado e eles foram lá, pediram-lhes um certificado de actividade profissional passado na área de residência. Demorava dois meses a obter e ia obrigá-los a fazer a mesma viagem mais um par de vezes. Desistiram", conta Vasco Sacramento.
Colapso financeiro
Os efeitos, em cascata, são pesados e perversos. Há agências que apostaram na chamada world music (música do mundo), o sector mais afectado por estas restrições, que estão à beira da falência.

Entre os requisitos obrigatórios para a concessão de vistos figuram actualmente a apresentação das passagens aéreas (que portanto têm de ser adquiridas antes) e das reservas em hotéis. Quando os vistos são recusados, esta despesa redunda automaticamente em prejuízo.
Para circular no espaço Schengen, basta um visto de entrada para um dos países contratantes (quase todos os países europeus; a Grã-Bretanha é uma das excepções). Quando, devido à recusa de um país, se tentam outras porta de entrada, os custos no mínimo duplicam.
Foi o que aconteceu com os Konono n.º1, mais de 25 anos de existência, que misturam uma espécie de trance music local com experimentação electrónica e instrumentos com as mais variadas origens. "Fervilhante", "vulcânica", são alguns dos adjectivos com que a sua música tem sido classificada na Europa, onde têm dois discos de sucesso e várias tournées.
Este Verão, os Konono tinham agendados concertos em cinco países. Em vão. A França, primeiro, e a Suécia depois recusaram-lhes vistos. Só elementos da banda os Konono contam nove. Os Kasai Allstars, também oriundos da República Democrática do Congo, juntam cinco grupos étnicos entre os seus 25 membros.

A belga Divano Production, de Michel Winter, que representa as duas bandas, perdeu cerca de 18 mil euros com o cancelamento das tournées europeias para este Verão e poderá agora fechar portas. "Não é a primeira vez que a Divano é atingida por esta realidade e duvidamos que possamos continuar a nossa actividade, devido a um colapso financeiro", escreveu Winter num e-mail enviado agora aos promotores dos festivais de world music.

Convenção da UNESCO
Com o imponderável como regra há também promotores que, face ao acumular de cancelamentos e prejuízos, começam a optar por "esquecer" os grupos que vivem longe, privilegiando contratos com aqueles que já residem na Europa.
"[Consciente ou inconscientemente] vamos talvez começar a baixar os braços", advertiu Philippe Conrath, director do festival Africolor, em França, durante um encontro sobre esta questão realizado em Maio, em Angoulême, no âmbito de outro dos grandes eventos da música do mundo, o Festival Musiques Métisses.

Conrath: "É um verdadeiro problema, que quero assinalar aqui. A consequência deste entrave à circulação é que não participaremos no esforço de criação que está a ser feitos nesses países." Carlos Seixas, promotor do Festival Músicas do Mundo, de Sines, aponta o dedo: "Estamos no ano escolhido pela União Europeia como o do diálogo intercultural e a situação está cada vez pior."

As atribulações impostas a estes grupos dão conta de uma história de absurdos, burocracias e abusos, que estará a repetir-se pelos consulados dos países europeus e que poderá constituir uma violação à Convenção da UNESCO sobre Diversidade Cultural, aprovada em 2006 pela União Europeia, adverte Ole Reitov, responsável da Freemuse, uma organização internacional contra a censura na música.

Entre os objectivos consagrados na convenção figura "o reforço das indústrias culturais nos países em desenvolvimento através", entre outros meios, da "facilitação de um acesso amplo das suas actividades, bens e serviços culturais ao mercado global e redes internacionais de distribuição".
Nesta convenção defende-se também "a adopção de um tratamento preferencial para os países em desenvolvimento: os países desenvolvidos devem facilitar trocas culturais com os países em desenvolvimento, garantindo, através das redes institucionais e legais apropriadas, um tratamento preferencial aos artistas e outros profissionais da cultura".

Ninguém atende
França e Alemanha, no espaço Schengen, e Reino Unido, fora dele, estão entre os países que mais entraves e dificuldades colocam à emissão de vistos. "Regra geral há muita boa vontade nos consulados portugueses", contrapõe Sacramento. Geralmente não recusam vistos, tentam acolher bem os requerentes. Mas existe uma "enorme dificuldade em falar com eles". Nas horas de expediente, na maior parte das vezes o telefona toca e ninguém atende. "Começamos com meses de antecedência e o resultado nunca é garantido", acrescenta o organizador do Festival de Loulé.

Esta situação agravou-se com os recentes cortes orçamentais e respectiva redução de meios.
"As pessoas dos serviços consulares não têm capacidade de resposta", constata também Sacramento. Uma consequência: quando acaba por existir uma resposta, não chega muitas vezes em "tempo útil". O calvário burocrático está garantido à partida.
No consulado de Portugal em Rabat, em Marrocos, não existe qualquer registo da passagem dos Master Musicians of Jajouka por lá, este ano, transmitiu ao P2 o assessor de imprensa do secretário de Estado das Comunidades.

Mas a primeira reacção dos serviços ao pedido de informação não deixa de ser reveladora. "Relativamente ao referido grupo não é possível efectuar uma consulta ao processo sem que nos sejam fornecidos os seguintes elementos; nome, n.º de passaporte e data de nascimento de cada um dos membros do grupo." Acrescentava-se depois ainda na mesma nota: "Através da consulta efectuada junto dos serviços consulares da embaixada em Rabat fomos informados que o grupo em questão já era conhecido e que em data anterior lhe teriam emitido vistos para actuação no CCB."

Da parte do Ministério dos Negócios Estrangeiros a informação que chega é, por sua vez, a que tem sido repetida pela maioria dos seus congéneres europeus: para conceder um visto de entrada, o país "encontra-se obrigado a exigir os requisitos constantes do acervo de Schengen e que são iguais para todos os casos".
Assinado em 1990, o acordo de Schengen visa a adopção de uma "política comum no que diz respeito à circulação de pessoas [no espaço dos países contratantes] e nomeadamente ao regime de vistos".

Schengen com variações
Vertidas para as legislações nacionais, as exigências para obtenção de vistos para o espaço Schengen são aparentemente uniformes: os vários títulos de entrada são os mesmos, assim como os documentos exigidos para a sua concessão, que podem variar segundo o tipo de visto pretendido, mas não de país para país ou de consulado para consulado do mesmo Estado.
Contudo, a experiência no terreno não tem sido esta, sobretudo nos últimos anos, com o endurecimento das políticas anti-imigração e o reforço das medidas de segurança após os atentados de Nova Iorque, Londres e Madrid.

"O visto Schengen permite a circulação no conjunto dos países europeus. Na prática, no entanto, cada país tem a sua própria política, os seus próprios critérios para a passagem de vistos. As regras são muito diferentes em função dos países", testemunhou, no encontro de Maio em Angoulême, Sophie Guênebaut, directora da rede de músicas do mundo Zone Franche.
O agente francês do maliano Mo DJ, Marc-Antoine Moureau, revelou ao Monde 2 qual a resposta que obteve este ano da vice-cônsul de Bamako: "DJ não é uma profissão! Reformule o seu pedido."

O produtor senegalês Assane Ndoye contou ao mesmo jornal que existem casos onde "as autoridades dizem aos músicos para actuarem perante elas de modo a avaliarem se são mesmo profissionais".
Há cinco anos, um conhecido músico congolês foi condenado em França por ter organizado um rede de "imigração clandestina". Por vezes os artistas integram nas suas comitivas gente que não pensa em regressar. Estatisticamente, estes casos são irrelevantes, mas constituem autênticas achas para a fogueira.

Prazos legais
Carlos Seixas fala de "burocracia e má vontade". Vasco Sacramento de "regras arbitrárias". "Num país um consulado pede-nos certificado de rendimentos, noutros não. Depois o processo vem para consulta para Portugal e congela no Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que não avisa ninguém e nem repara que os espectáculos podem estar marcados para dali a dias", conta o promotor do festival e Loulé. E desabafa: "É muito cansativo."
Numa resposta por escrito às questões do P2, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) remete para o quadro legal existente, lembrando que, por lei, tem um "prazo máximo de 20 dias" para se pronunciar, emitindo parecer, "findo o qual a ausência de emissão corresponde a parecer favorável". Na nota recorda-se que também o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) tem prazos legais para se pronunciar sobre "cada tipo de visto, sob pena de deferimento tácito".
Os vistos concedidos nos consulados e embaixadas são cinco: de escala, trânsito, curta duração, estada temporária e de residência. Estes últimos dois carecem de parecer obrigatório do SEF. Quando negativo, este parecer é vinculativo.

O SEF sublinha, a este respeito, que se "pronuncia unicamente sobre dois parâmetros: análise do risco migratório e razões de segurança interna, não podendo em circunstância alguma pronunciar-se sobre os documentos que devem integrar o procedimento administrativo, tendente à emissão de vistos, cuja competência instrutória pertence em exclusivo ao MNE".

Vistos para artistas

Os vistos de estada temporária para exercício de actividade profissional - geralmente têm a duração do contrato de trabalho - e de residência para exercício de actividade profissional independente são aqueles que, por norma, são concedidos por Portugal aos artistas, informa também o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.
Este ano o Ministério francês dos Negócios Estrangeiros instruiu os seus consulados para "facilitarem" a concessão de vistos aos naturais de África que tivessem uma actividade profissional de carácter artístico, cultural, universitário ou de investigação.

No encontro de Angoulême, um conselheiro daquele ministério explicou que estavam disponíveis para "generalizar a outros públicos, como os artistas, o que foi feito para os empresários", atribuindo também a artistas africanos "vistos de circulação" com um prazo que pode ir de um a cinco anos. Durante o período de vigência, os seus portadores poderão viajar para o espaço Schengen sem passagens por consulados e respectivas burocracias e imprevistos.
Ole Reitov, da Freemuse, tem estado a coligir casos de problemas com vistos. O processo deverá acompanhar uma espécie de "livro branco" com propostas de solução que deverá ser entregue nos próximos meses no Parlamento Europeu. A questão estará também na ordem do dia do fórum cultural da rede Eurocities, que decorrerá em Dortmund, Alemanha, no princípio de Setembro, e na Womex de Sevilha, em Outubro, revelou aquele responsável ao P2.

"Prevejo dificuldades", diz Carlos Seixas sobre uma eventual aplicação de um tratamento diferenciado aos artistas. Primeira dificuldade: como provar que eles são de facto o que dizem ser? Tanto Seixas como Sacramento recordam que muitos dos músicos que participam nos festivais de world music não são artistas profissionais - podem ser pastores, artesãos, agricultores... - e portanto não podem apresentar a certidão de actividade profissional exigida nos processos de atribuição de vistos.

Os serviços "pedem muitas coisas que nos países pobres são difíceis de obter ou que de todo não existem", constata Carlos Seixas. Aos paquistaneses Asif Ali Khan & Party, que no seu país costumam actuar em festas de aldeia e não pensam sequer em passar recibos (que ninguém pede) foram recusados vistos por não terem provas de autonomia financeira. Isto, apesar dos termos de responsabilidade que foram apresentados pelos seus contratadores europeus, que legalmente podem substituir aquela prova.

Vasco Sacramento não enjeita responsabilidades: "A culpa também é nossa, da indústria musical. Há uma certa inércia. Não temos sabido responder às novas exigências de segurança e imigração." Não está optimista: "Tenho alguma dificuldade em ver como isto se vai desembaraçar."

Em Angoulême, o conselheiro do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês, Didier le Bret, aponta limites que continuarão a ter efeitos "muito perniciosos". Mesmo que venham a existir vistos especiais, de maior duração, só irão beneficiar aqueles que as normas e a experiência apontam como representando "um risco fraco ou nulo".
"O problema são os jovens artistas", desabafa, subscrevendo o perfil traçado antes por Conrath. Exemplo tipo que mete medo à Europa, segundo Philippe Conrath: "Homem entre os 18 e os 26 anos."

Entre 2010 e 2015, os 24 países que hoje integram o espaço Schengen deverão começar a exigir que os visitantes de outras partes do mundo tenham vistos com os chamados "registos biométricos". A medida, que já se encontra em vigor para entradas no Reino Unido e nos EUA, poderá tornar ainda mais difícil o acesso à Europa.
As impressões digitais são fundamentais nestes registos e, como é óbvio, só poderão ser recolhidas presencialmente. Neste momento, sempre que alguém fora da UE pretender visitar o Reino Unido tem de requerer um visto e fixar nele novas impressões digitais, mesmo que já o tenha feito poucos meses antes.

O processo repete-se assim em cada novo visto, obrigando a deslocações colectivas aos consulados, o que significa muitas vezes ter de viajar para outro país. É o que acontece em muitos países africanos. Um balanço feito recentemente pelo jornal britânico The Independent: no Mali não existe um consulado britânico, por isso sempre que uma banda daquele país é contratada para actuar na Grã-Bretanha tem de voar primeiro para o Senegal. O grupo de jazz Les Amazones, da Guiné, teve este ano de viajar para Freetown, na Serra Leoa, para tentar obter vistos para os 12 elementos da banda. "Antes podíamos enviar apenas uma pessoa com os 12 passaportes. Agora, por causa das impressões digitais, têm de ir todos", queixou-se o produtor. O visto foi-lhes recusado.

Um visto de entrada no espaço Schengen também não garante acesso a território britânico e o Reino Unido não concede vistos a não europeus nos seus consulados da União Europeia. Há por isso quem tenha de se deslocar, por exemplo, de Paris a Dacar, antes de viajar para Londres.

Carlos Seixas, promotor do Festival Músicas do Mundo, em Sines, conta outra experiência que saiu cara. Com visto português obtido no consulado de Pequim, o "pai" do rock chinês, Cui Jian, estava a iniciar a viagem que o traria a este festival quando foi barrado (com o grupo) no check-in da British Airways. O voo para Lisboa fora comprado nesta companhia, mas tinha uma escala em Londres e os músicos chineses não tinham vistos de trânsito e portanto não podiam pisar solo britânico. "Tiveram de comprar novos bilhetes para um voo que fizesse escala num país Schengen."

Mas não é só a Europa que está a colocar problemas de entrada e também não são só os artistas africanos ou asiáticos que têm sofrido com isso. Músicos europeus e canadianos têm sido impedidos de actuar nos Estados Unidos devido à recusa de vistos de entrada. Por ter cadastro, a britânica Amy Winehouse foi um deles.

Escape From Rehab

Um jogo inspirado em Amy Winehouse:
Escape From Rehab

11 agosto 2008

Festival Sudoeste 4º Dia: Cortes e cópias

O Sudoeste terminou hoje com um lote de bandas que sabe beber nas referências e criar um som seu. Os Cut Copy foram os grandes vencedores da noite.

Vamos ao mais importante. Os Franz Ferdinand não foram consensuais. Começaram em falso, embora a culpa não tenha sido deles, sem PA e som de palco. Voltaram aos camarins e o regresso trouxe cortes no alinhamento, as canções que todos esperavam e inéditos que, para já, não convecem totalmente.

Percebe-se que há um som muito próprio que continua a beber em referências como os Kinks ou os Gang Of Four e que há uma procura inesgotável de novos recursos como a África mãe. No entanto, a soma das partes ainda não é totalmente satisfatória. Valeram as muitas palmas para salvar uma noite que podia ter sido mais feliz.

Uma dezena de minutos antes de entrar em palco, Alex Kapranos era um espectador atento da estreia arrasadora dos Cut Copy. Capazes de transpor um imaginário que é sobretudo electrónico, os australianos contagiaram tudo e todos com uma força simplesmente arrasadora. Por favor, voltem!

Kapranos foi inteligente na maneira como soube afastar-se do espaço maior do recinto onde tocavam os chatíssimos Shout Out Louds, mais imitadores dos Cure do que os Led On são dos Led Zeppelin. Só falta mesmo o vocalista pintar-se de negro e engordar 20 quilos para ser um sósia do ex-carismático Robert Smith.

Não se percebe como é que os Xutos & Pontapés tocam antes dos suecos da campanha de uma famosa operadora que, por acaso, até (não) patrocina o Sudoeste. Eles são aquela máquina que não falha, capaz de incorporar uma «orquestra de metais», bem afinada. Ao contrário de outros, a reinvenção é uma palavra verosímil, aqui.

Muito bem esteve Jamie Lidell, mesmo sofrendo a forte concorrência dos arquiduques que à mesma hora colocavam o povo em delírio com «Michael» ou «Take Me Out». O espectáculo combina a soul clássica do novo álbum «Jim» e o tecno espacial do primeiro «Multiply». A rever noutro espaço.

Da armada portuguesa, Jorge Palma foi o mais fraco. Visivelmente «tocado», mostrou dificuldades em articular palavras com o pensamento e sons com a banda. Mas o povo apreciou. Palma é o bobo da corte e não se apercebe. O povo canta e ri e a caravana continua a passar.

Os Tara Perdida confirmaram que são um dos fenómenos mais fortes ao nível do público jovem. O mosh teve continuação mais tarde com os Vicious 5 embora o vocalista Joaquim Albergaria continue a ter menos piada que Aldo Lima. A grande desilusão foi o concerto em câmara lenta dos Junior Boys. Os Alpha Blondy encheram a tenda reggae.

Os Led On são certamente uma das melhores bandas de covers do mundo. Músicos de primeira água que nos fazem sonhar com os Led Zeppelin quando fechamos os olhos. Robert Plant, não tenhas cuidado não...

in discodigital

10 agosto 2008

Festival Sudoeste 3º Dia: O fado da vitória

Camané, Deolinda e David Fonseca foram os grandes vencedores de uma terceira noite morna que teve no Planeta Sudoeste o hot spot.

Há três anos, os Humanos assinaram um dos concertos mais memoráveis da história de um festival que já leva uns respeitáveis onze anos. Em 2008, a aventura que recriou António Avariações não é mais do que uma recordação passada mas cada um dos elementos que tornou o projecto viável continua em grande força.

Depois do belíssimo espectáculo dos Clã, David Fonseca e Camané mostraram porque são dois figurões da música portuguesa. O primeiro é um velho conhecido do Sudoeste e já conhece a estrada de cor. De tal maneira, que o alinhamento terminou com uma versão de «A Little Respect», dos Erasure, popularizada pelos Silence 4.

Foi ele quem mais pessoas chamou ao recinto. Ele foi o verdadeiro cabeça-de-cartaz de uma noite que teve em Vanessa da Mata e, principalmente, Nitin Sahwney, dois soporíferos. As versões de «Together In Electric In Dreams», dos Human League e de «Video Killed Radio The Star», dos Buggles, foram igualmente tiros certeiros.

À mesma hora, os Deolinda comprovavam que o fenómeno é mesmo para valer. Ana Bacalhau é uma estrela do presente. Ignorá-la é como desconhecer o vinho do Porto. Ela canta, dança, desafia, enfim, uma verdadeira performer capaz de reinventar o fado. O recinto esteve cheio do princípio ao fim.

Depois, foi o genial Camané, nervoso com a estreia em modo fadista no Sudoeste mas sempre seguro do seu repertório. Carlos Bica foi o convidado inesperado que abrilhantou uma actuação com uma alma que conquista tribos variadas. E até houve direito a pedagogia com a explicação de que «no fado não se batem palmas».

Igualmente importantíssima foi a primeira vez dos Pontos Negros a prometer um dos melhores discos nacionais para a colecção Outono/Inverno deste ano. As novas canções são assombrosas com especial destaque para o último tema que só não será single se as Twin Towers de Benfica cairem.

Do resto, pouco rezará a história. Brandi Carlile foi tão inconsequente quanto a sua música deixa escapar. No Kubik, tudo correu sobre rodas tal como era esperado. Tiago Bettencourt não convenceu apesar do imenso público feminino. Richie Spice perdeu o avião e ficou em terra.

in disco digital

09 agosto 2008

Festival Sudoeste 2º Dia: My Chemical Brothers

A morte lenta na segunda noite do Sudoeste só foi interrompida no final do concerto de Goldfrapp. Depois, vieram os Chemical Brothers e o vento mudou...

Definitivamente, a melancolia não se dá bem com festivais. Que o digam os eternos em palcos portugueses Tindersticks, descontextualizados perante um público com fome de farra e pão com chouriço. O efeito da banda de Stuart Staples foi em tudo semelhante ao dos The National, no último Optimus Alive! 08. LSD precisa-se...

Mas vamos ao que interessa. De regresso às comparações, o espectáculo (sim, é mais do que um mero concerto) dos Chemical Brothers produziu os mesmos resultados dos Daft Punk há dois anos. Luz, cor e som em perfeita sintonia. Um alinhamento perfeito. Uma verdadeira discoteca a céu aberto. E o Boom só começa segunda-feira.

Antes, Goldfrapp deu um cheirinho (não literal) do que podia ter sido um regresso auspicioso. E só não o foi porque o arranque sonolento conseguiu afastar pelo menos vinte por cento daqueles que tinham cometido o obséquio de abandonar a tenda para justificar o preço do bilhete do Sudoeste.

Sejamos sinceros, a música é cada vez menos um factor aliciante. Basta percorrer o parque de campismo a qualquer hora do dia para se perceber que esta é a zona onde tudo que se passa. As bandas são apenas um apêndice de toda uma envolvência que tem a praia e a Zambujeira do Mar como cenário principal.

Se Yael Naim deu, provavelmente, o concerto mais fraco da noite, Rita Redshoes pediu meças à concorrência e mostrou-se perfeitamente capaz de tocar mais tarde. As canções são serenas, por vezes lembrando até o oeste...americano, mas há uma noção de espectáculo perfeitamente à altura do que vem lá de fora. A internacionalização está mesmo aí...

No Planeta Sudoeste, os Tetine podem ter tocado para meia dúzia de corajosos mas surpreenderam pelo arrojo. Merecem voltar noutras condições. O mesmo não se pode dizer da praga Cidinho & Doca, dupla que conseguiu transformar o espaço num ambiente de baile de finalistas de favela. Só que desta vez não houve tiros.

A expectativa produzida pela poliglota Nneka não se traduziu completamente devido a problemas de som. Mesmo assim, e com inteligência, a alemã deu a volta ao texto e foi agarrando quem por ali passava, invariavelmente de copo de cerveja na mão. Rosália de Sousa passou praticamente despercebida.

O palco reggae continua cheio. Para quem entra no recinto, pode até parecer que é este o espaço com os maiores artistas. Mas não. Desta vez, Al Borosie foi uma bela surpresa enquanto Beenie Man confirmou créditos. O Kubik comprovou ser uma boa aposta para um público mais específico.

in disco digital

08 agosto 2008

Sudoeste dia 2: Horários

Palco TMN

Dynamics - 03h10 / 04h00
Chemical Brothers - 01h10 / 02h40
Goldfrapp - 23h40 / 00h40
Tindersticks - 22h10 / 23h10
Yael Naim - 21h05 / 21h50
Rita Redshoes - 20h00 / 20h45

Palco Planeta Sudoeste

Cidinho & Doca - 00h50 / 01h50
Nneka - 23h30 / 00h30
Rosalia de Sousa - 22h10 / 23h10
Moinho - 20h50 / 21h50
Tetine - 19h30 / 20h30

Palco Positive Vibes

Zion Train - 02h00 / 04h00
Beenie Man - 00h15 / 01h45
Al Borosie - 22h00 / 23h30
The Most Wanted - 20h45 / 21h30

Kubik

Rui Vargas - 2h30 / 05h
Sue Ellen - 01h30 / 02h30
Magazino - 00h30 / 01h30
Nuno Reis - 23h / 00h30
Mary B - 22h / 23h

Festival Sudoeste, dia 1: O Sudoeste do Mali

A noite que marcou o arranque dos concertos no palco principal do Sudoeste ficou marcada pelas sonoridades da chamada música do mundo com destaque para o Mali de Toumani Diabaté, e Tinariwen. Björk reencontrou-se com o público português aquecendo a fria noite alentejana que não foi suficiente para afastar os muitos milhares de festivaleiros, com destaque para a enorme presença de espanhóis, que se espalharam pelo recinto.

Chegados ao fim da tarde ao local constata-se logo que o recinto foi revisto, e melhorado. O piso com erva bem alta vai disfarçando a tradicional poeira, a organização do espaço bem melhorada com um local para restauração alargado e coberto, e na ponta contrária ao palco principal um triângulo de opções entre a tenda do Planeta Sudoeste- na prática o palco secundário, o palco Positive Vibes sempre cheio de fãs do reggae, e a zona dada às batidas electrónicas transformada numa bonita discoteca ao ar livre. Tudo espaços bem mais preenchidos que a plateia do palco principal.

E no palco maior quem brilhou intensamente foi a islandesa Björk que assinou um dos melhores concertos da época festivaleira. Visualmente muito dinâmico, e colorido, com a cantora em excelente forma bem enquadrada em vistosos jogos de luzes, o concerto ficou marcado pela transformação das suas canções mais emblemáticas com roupagens bem electrónicas bem dançantes como foi o caso de «Army of Me», ou a grande «Hyperballad». Surpresa geral com a aparição do Rei da Kora, como lhe chamou a cantora, Toumani Diabaté, em palco para tocarem «Hope». O concerto terminou com o simbólico «Declare Independence», já no encore, e que já foi dedicado ao Tibete, isto em véspera de arranque dos jogos olímpicos na China. O concerto do Festival até à data.

Toumani Diabaté antes de chegar ao palco principal tinha brilhado com a sua banda no palco Planeta Sudoeste. O mau som, e a inexplicável indiferença do público perante tão ilustre figura, não ajudaram a tornar o concerto inesquecível.
A juventude esteve sempre mais virada para o palco da entrada principal onde se entregavam aos sons e fumos do reggae, e onde brilharam os franceses Dub Inc., assim como para os devaneios electrónicos do espaço Kubik onde Gui Borato levou ao delírio os amantes das batidas dançantes.

Voltando ao palco principal destaque para o regresso dos Tuaregues Tinariwen ao nosso país. Em relação ao concerto de Setembro no CCB o grupo apresentou-se com as vocalistas que dão mais alma à actuação, mas o ambiente frio com que foram recebidos não os fez soar tão encantadores como já os sentimos. Cumpriram a sua tarefa bem melhor que os Balkan Beat Box de quem se esperava um fecho de noite bem animado, mas a repetitiva fórmula sonora acabou por não convencer os resistentes das filas da frente.

Bem recebidos foram os portugueses Clã ao principio da noite, que actuaram depois dos brasileiros Natiruts, e que continuam a mostrar a boa forma que registaram no mais recente disco da banda.
A primeira noite já lá vai, seguem-se mais três de festa no Sudoeste.

07 agosto 2008

Björk Encanta a SW

É um grande regresso da islandesa ao nosso país. Acaba de actuar no palco principal assinando um belíssimo concerto visualmente muito colorido, e com muita movimentação em palco esgotando os obrigados nos intervalos de cada tema.
A excelente foto da Rita Carmo ilustra bem o momento:

mais na Blitz online.

BJÖRK de Regresso a Portugal

O que esperar do concerto de logo à noite.

(alinhamento do Melt! Festival, na Alemanha, a 20 de Julho)

Intro - Brennið Þið Vitar
Earth Intruders
Hunter
Pagan Poetry
The Pleasure Is All Mine
Desired Constellation
Vertebrae By Vertebrae
Jóga
Overture
Immature
Army Of Me
Triumph Of A Heart
I Miss You
Cover Me
Wanderlust
Hyperballad
Pluto

encore
Anchor Song
Declare Independence

06 agosto 2008

Videoclip Canino

Björk na ZdB

Björk esteve ontem na ZDB a ver o concerto de Chris Corsano, seu colaborador que participa, por exemplo, em «Völta».

A presença da islandesa foi notada por vários espectadores e confirmada pelo pessoal da ZdB, que ontem recebeu vários concertos antes de fechar para férias. A artista esteve acompanhada pela sua equipa.

05 agosto 2008

Festival Sudoeste - Horários

Foram hoje revelados os horários do Festival Sudoeste que se realiza entre 7 e 10 de Agosto, embora o warm up esteja marcado para quarta-feira, dia 6.

Os ingressos estão à venda nos locais habituais e custam 40 euros (bilhete diário) e 75 (passe de quatro dias, com acesso gratuito a estacionamento e parque de campismo).

Horários completos:

6 de Agosto

Palco Positive Vibes

Bob Sinclar - 01h20 / 03h20
Sexy Sound System - 23h40 / 01h10
DJ Malvado - 22h / 23h30

Kubik

Tiefschwarz - 03h / 05h
Full Metal Funk - 01h / 03h
Pansorbe - 23h / 01h
Tiago Santos - 21h / 23h

7 de Agosto

Palco TMN

Balkan Beat Box - 01h30 / 02h30
Tinariwen - 00h10 / 01h10
Bjork - 22h20 / 23h50
Clã - 20h40 /21h35
Natiruts - 19h45 / 20.30

Palco Planeta Sudoeste

Roberta Sá - 01h20 / 02h35
Arnaldo Antunes - 00h / 01h
José James - 22h40 / 23h40
Tounami Diabaté - 21h20 / 22h20
Roy Paci - 20h05 / 21h
Coldfinger - 19h / 19h45

Palco Positive Vibes

David Rodigan - 01h30 / 04h
Dub Inc. - 23h30 / 01h
Souls of Fire - 22h / 23h
Bambule - 20h45 / 21h30

Kubik

Stereo Addiction - 03h / 05h
Gui Boratto - 01h30 / 03h
Zé Pedro Moura - 00h / 01h30
Hugo Santana - 22h / 00h

8 de Agosto

Palco TMN

Dynamics - 03h10 / 04h
Chemical Brothers - 01h10 / 02h40
Goldfrapp - 23h40 / 00h40
Tindersticks - 22h10 / 23h10
Yael Naim - 21h05 / 21h50
Rita Redshoes - 20h00 / 20h45

Palco Planeta Sudoeste

Cidinho & Doca - 00h50 / 01h50
Nneka - 23h30 / 00h30
Rosalia de Sousa - 22h10 / 23h10
Moinho - 20h50 / 21h50
Tetine - 19h30 / 20h30

Palco Positive Vibes

Zion Train - 02h / 04h
Beenie Man - 00h15 / 01h45
Al Borosie - 22h / 23h30
The Most Wanted - 20h45 / 21h30

Kubik

Rui Vargas - 2h30 / 05h
Sue Ellen - 01h30 / 02h30
Magazino - 00h30 / 01h30
Nuno Reis - 23h / 00h30
Mary B - 22h / 23h

9 de Agosto

Palco TMN

Nitin Sawhney - 01h30 / 03h
Vanessa da Mata - 23h55 / 01h10
David Fonseca - 22h20 / 23h35
Brandi Carlile - 21h10 / 22h
Melee - 20h / 20h50

Palco Planeta Sudoeste

Tiago Bettencourt - 00h50 / 01h50
Camané - 23h30 / 00h30
Deolinda - 22h10 / 23h10
Alexia Bomtempo - 20h50 / 21h50
< Pontos Negros - 19h30 / 20h30

Palco Positive Vibes

BigBadaBoom - 02h / 04h
Richie Spice - 00h15 / 01h45
Ziggi - 22h / 23h30
Chaparro - 20h45 / 21h30

Kubik

DJ Kitten - 03h / 05h
Headman - 01h / 03h
Discotexas - 23h30 / 01h
Glam Slam Dance - 22h / 23h30

10 de Agosto

Palco TMN

Led On - 02h30 / 03h15
Franz Ferdinand - 00h40 / 02h10
Shout Out Louds - 23h20 / 00h20
Xutos e Pontapés - 22h10 / 23h
Jorge Palma - 21h05 / 21h50
Tara Perdida - 20h / 20h45

Palco Planeta Sudoeste

Jamie Lidell - 01h20 / 02h20
Cut Copy - 23h45 / 01h
Junior Boys - 22h10 / 23h25
Vicious Five - 20h50 / 21h50
Fanfarlo - 19h30 / 20h30

Palco Positive Vibes

PowPow Movement - 02h / 04h
Alpha Blondy - 00h15m / 01h45
Luciano - 22h / 23h30
Jah Vai - 20h45 / 21h30

Kubik

Dezperados - 03h / 05h
Booka Shade - 02h / 03h
João Maria - 00h / 02h
José Belo - 22h / 00h

04 agosto 2008

Rumo a Sudoeste

Mudança para Mil Fontes para a semana do Sudoeste 2008.

Nostalgia: Then Jerico - Big Area

Recordações de tempos de puto feliz.

Paredes de Coura 2009: Datas

No próximo ano, o festival realiza-se a 30 e 31 de Julho e 1 e 2 de Agosto.
A notícia foi adiantada em conferência de imprensa. A organização estima que em cada dia do festival estiveram entre 20 a 25 mil pessoas.

03 agosto 2008

Paredes de Coura noite 3: Fotos




Teenagers, dEUS, Wraygunn in blitz

Reportagem completa da amiga Lia Pereira na Blitz.

02 agosto 2008

Ecos de Coura: Fotos 2ª Noite





flashes de Editors, Primal Scream e The Sounds.

in blitz

01 agosto 2008

Paredes de coura: Eu Vi os Sex Pistols!

E perguntei-me o concerto quase todo: estes é que são os gajos da anarquia, do punk?! É estranho ver os Pistols em palco com muitos quilos a mais e com ar de pais de família. E se dúvidas houvessem quanto à atitude o mito cai quando 3 fãs conseguem , e bem, enganar a segurança e invadir o palco. Pensei: é agora!
Puro engano. Johnny Rotten não achou piada e veio dar um belo raspanete. "Não façam isto! Este é o meu espaço, esse aí é o vosso. Não façam isto que ainda se magoam."
E a seguir tocam "God Save The Queen". Não fez sentido!
Acho que há bandas que fazem muito bem em continuar a tocar ao vivo. É o ambiente deles, estou a pensar nos Rolling Stones, num Rod Stwert, nuns The Who, só para mencionar alguns nomes vistos recentemente por cá.
Mas esta noite ver os Sex Pistols trouxe algum embaraço à plateia. A eles não porque assumiram que queriam ganhar dinheiro com o seu passado. É legitimo, claro, e até há momentos em que esboçamos um sorriso ao ver a cara de mau de Rotten, e o ar alucinado com que diz piadas.
Foi uma noite para o curriculum, já vi os Sex Pistols. Pronto.
Mas que chegou a ser embaraçoso, lá isso chegou.

Boas surpresas foram os dois concertos anteriores.
Muito bons os Bellrays com o seu blues rock musculado, guiados pela voz soul da poderosa Lisa Kekaula. Com uma qualidade de som no recinto acima da média, os californianos convenceram Coura.

Também os suecos Mando Diao saem do Minho com nota muito positiva. Grande química com o anfiteatro natural de Paredes de Coura que os recebem de braços abertos. Bom rock e a melhor camisola de alças vistas em palcos dos últimos tempos com a imagem dos Beatles.

Hoje continua a festa em Coura.

31 julho 2008

Começa Hoje Paredes de Coura

Palco Heineken

SEX PISTOLS 00H30
MANDO DIAO 23H00
THE BELLRAYS 21H40
X-WIFE 20H30
BUNNYRANCH 19H30

Palco Burn After-Hours

DJ AMABLE 03H00
THE MAE SHI 02H00

29 julho 2008

Agora o Norte

Mudança para o norte com Paredes de Coura no horizonte.

28 julho 2008

FMM Sines 2008: O Rescaldo

Terminou na manhã de domingo o 10º Festival das Músicas do Mundo de Sines. Uma edição maior em quantidade de concertos e recheada de momentos que vão fazer a história destes 10 dias de música entre Porto Covo e Sines. Unanimemente marcantes foram os concertos da Orchestra Baobab, Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba, Asif Ali Khan, e Rokia Traoré que fechou o ciclo de concertos no castelo.

Passava das 8 da manhã de domingo, já o sol ia alto, quando as colunas do palco da praia Vasco da Gama ficaram em silêncio. Terminava assim uma longa maratona de 40 concertos espalhados por vários espaços ao longo de 10 dias. Como já é tradição a multidão não arreda pé até às primeiras horas de domingo por culpa do colectivo de DJ's Bailarico Sofisticado, este com António Pires como convidado especial, que voltou a agitar os muitos resistentes na avenida da praia com a sua selecção musical de ritmos do mundo sempre agitados.

Para trás tinha ficado o último fim de semana de concertos em Sines marcado pela quantidade de oferta, e por um certa desilusão com o fecho da noite de sexta no castelo onde Cui Jian, figura maior do rock chinês, apareceu com um espectáculo deslocado do contexto do evento testando a paciência de todos. Também os repetentes KTU não conseguiram empolgar tanto como aconteceu em visitas passadas. Curiosamente, foi o paquistanês Faiz Ali Faiz que encantou o castelo. Ele que só veio devido ao impedimento burocrático europeu a Asif Ali Khan, conquistou a plateia com o seu canto "qâwwali", a música do misticismo muçulmano que, através da repetição da palavra ("qaul"), procura estimular no ouvinte o contacto directo com Deus ou, para quem não é crente, uma forma superior de experiência estética.
Na praia ao fim de tarde o quarteto feminino vindo do Reino Unido Rachel Unthank & The Winterset cantou e encantou mostrando, e confirmando, a beleza do seu muito elogiado disco "The Bairns".
A fechar a noite ritmos mais dançantes, como se queria, ao som dos Nortec Colective, que moram naquele espaço quente entre o México e os Estados Unidos da América, mestres em agitar os corpos como se sabe ao escutar as sessões editadas de "Tijuana Sessions". Antes os americanos Firewater não foram tão eficazes.

Na última noite de concertos ficou a faltar um fecho apoteótico à luz do tradicional fogo de artifício que noutros anos imortalizou as presenças de Skatalites, ou Gogol Bordello. Para o último concerto do castelo quer-se ritmo, dança, e festa. Mas este ano a agitação foi trocada por um concerto sublime de Rokia Traoré que foi unanimemente elegido pelo público como o melhor de todo o festival. Rokia Traoré é nome a ter em atenção pelos promotores de concertos para as salas do nosso país.
Só o fogo de artifício é que não casou bem com o ritmo mais intimista do triângulo Doran-Stucky-Studer a envolver o jazz com o rock cruzando as origens de cada músico vindos da Irlanda, Suíça e Estados Unidos.

A abrir a noite Koby Israelite, nascido em Israel mas vive em Inglaterra, agitou com o seu acordeão digno do experimentalismo da editora de John Zorn a que pertence, e depois evocou-se o espírito de Jimi Hendrix com
O mesmo espírito prolongou-se na avenida da praia com os americanos Jean-Paul Bourelly e Melvin Gibbs & Will Calhoun, seguindo-se o ambiente mais festivo dos israelitas Boom Pam.

Muita música nova nos trouxe o FMM 2008 criando emoções, mas o essencial continua a crescer além da música, é o ambiente de festa, a comida regional, o sol e a praia, a comunhão entre população e festivaleiros que está cada vez mais enraízada, as amizades que se fortalecem e que fazem destes 10 dias em Sines a melhor festa de música de todo o ano.

in discodigital

FMM Sines - Fotos





Faiz Ali Faiz, Boom Pam, Bailarico Sofisticado
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Faiz Ali Faiz @ FMM Sines

27 julho 2008

A Última Noite de Sines

Foi assim que o Bailarico Sofisticado fechou a 10ª edição do Festival das Músicas do Mundos de Sines, há poucas horas:





25 julho 2008

FMM SINES 2008 [penúltima noite] - Programa

Fat Freddys Drop em Novembro na Quinta dos Lombos

Os neo-Zelandeses actuam dia 7 de Novembro no Pavilhão dos Lombos em Carcavelos.

24 julho 2008

Concertos para Lisboa Hoje

bonde do rolê no lux
kings of convenience em cascais
projecto fuga no onda jazz

FMM SINES 2008 - Programa

Horários de Paredes de Coura revelados

Já são conhecidos os horários para o festival de Paredes de Coura que decorre entre 31 de Julho e 3 de Agosto.
Os bilhetes custam 40 euros (diário) e 70 euros (passe para os quatro dias). Eis os horários dos quatro palcos:

31 De Julho

Palco Heineken

Sex Pistols 00H30
Mando Diao 23H00
The Bellrays 21H40
X-Wife 20H30
Bunnyranch 19H30

Palco Burn After-Hours

DJ Amable 03H00
The Mae Shi 02H00

1 De Agosto

Palco Heineken

Primal Scream 00H30
Editors 23H00
The Sounds 21H40
The Rakes 20H30
Two Gallants 19H30

Palco Burn After Hours

Optimos DJs 03H15
These New Puritans 02H00

Palco Ibero Sounds Fanta Play On

D3o 18H25
Layabouts 17H30

Palco Jazz na Relva

Jazz Resort Soundsystem 16H30

2 De Agosto

Palco Heineken

The Mars Volta 00H30
dEUS 22H50
Wraygunn 21H30
The Teenagers 20H30
Spiritual Front 19H30

Palco Burn After Hours

Surkin 03H45
Woman In Panic 02H30

Palco Ibero Sounds Fanta Play On

Dorian 18H25
Sean Riley & The Slowriders 17H30

Palco Jazz na Relva

Man-Drax 16H30

3 De Agosto

Palco Heineken

Thievery Corporation 01H20
The Lemonheads 23H40
Biffy Clyro 22H20
Tributo a Joy Division 21H10
Au Revour Simone 20H00
Ra Ra Riot 19H00

Palco Burn After Hours

Twin Turbo 03H45
Caribou 02H30

Palco Ibero Sounds Fanta Play On

We Are Standard 18H25
Komodo Wagon 17H30

Palco Jazz na Relva

Trio de Afonso Pais 18H25

21 julho 2008

FMM SINES 2008: Compilação em CD Duplo

O tradicional duplo cd que a organização publica com músicas dos grupos presentes em cada edição do festival aqui partilhado com os leitores:

Disco 1
Disco 2



Génio de Tom Waits à solta em Milão

É uma das maiores falhas ao nível de concertos em Portugal. Tom Waits não vem até cá, mas o Disco Digital foi até ele em Milão através de jimmy Jazz:

Durante mais de duas horas o genial Tom Waits levou ao rubro o Teatro Degli Arcimboldi, em Milão. Do folk ao blues, do jazz ao rock, do mambo às ternas baladas de amor beatnick, o músico norte-americano mostrou porque continua a ser uma lenda.

Continua aqui

Além de Sines...Cohen e Reed

Retirado entre Porto Covo e Sines não tive possibilidade de chegar a hesitar entre um concerto e outro. Os monstros Leonard Cohen e Lou Reed passaram por Lisboa na mesma noite e eu não vi nenhum.
Fica o registo dos relatos dos meus companheiros do Disco Digital:
Cohen
Reed

FMM SINES 2008 [21 Julho] - Programa

Hoje o Festival continua em Sines no Exterior do Centro de Artes com o concerto de Danae (Portugal), e Auditório do Centro de Artes com Moskow Art Trio (Rússia / Noruega), e Lo Còr de la Plana (Occitânia).

Faiz Ali Faiz substitui Asif Ali Khan & Party no Festival Músicas do Mundo de Sines

O grupo paquistanês Asif Ali Khan & Party não vai poder estar presente no concerto do Festival Músicas do Mundo de Sines programado para o dia 25 de Julho, às 21h30, no Castelo. De acordo com o agenciamento, não podendo o artista provar a posse de recursos financeiros que na realidade não tem, o visto de entrada na Europa foi-lhe negado, repetindo-se uma situação que nos últimos anos tem impedido a vinda à Europa de muitos dos melhores músicos dos países mais pobres de África, Ásia e América Latina.

Felizmente, Faiz Ali Faiz, o outro grande "qâwwal" paquistanês, perfeitamente a par de Asif em qualidade e estatuto, está em digressão pela Europa e disponibilizou-se para adiar o regresso ao seu país para estar presente no festival de Sines.

Nomeado em 2005, 2006 e 2008 na categoria de melhor artista da Ásia / Pacífico dos prémios de “world music” BBC Radio 3, Faiz Ali Faiz tem sido, na primeira década do novo milénio, o artista que de forma mais constante tem carregado a tocha do mestre Nusrat Fateh Ali Khan nos palcos internacionais.

Nascido em 1962, provém de uma família com sete gerações de cantores "qâwwali", a música do misticismo muçulmano que, através da repetição da palavra ("qaul"), procura estimular no ouvinte o contacto directo com Deus ou, para quem não é crente, com uma forma superior de experiência estética.

Conhecedor profundo desta tradição, Faiz tem também procurado pontos de contacto com outras músicas, nomeadamente o flamenco, género com o qual o "qâwwali" partilha raízes.

Com genes, escola e uma voz poderosa, Faiz Ali Faiz promete fazer chegar o público do FMM 2008 ao "haal", o estado do puro êxtase.