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31 maio 2009

O Encanto do Vinil

Para ver na colecção da Taschen:
http://www.colorsmagazine.com/records/#

17 fevereiro 2009

Alex Kapranos e a Gastronomia Portuguesa


"Snacks & Outros Sons", Alex Kapranos, edlp Marketing Lda, 2008, 144 págs, € 9,90

Não resisto a reproduzir aqui o destaque que o excelente Guedelhudos dá ao livro de comezainas de Alex Kapranos, dos Franz Ferdinand.

Eis o que escreveu sobre Lisboa:

Subo a íngreme Calçada da Glória pelo lado dos carris do funicular, com as solas de pele escorregando das pedras da calçada que são como cubos irregulares de gelo vulcânico.

Falha-me um pé e agarro-me ao corrimão partido. Esta ravina urbana espartilha dramaticamente a cidade velha de Lisboa. As paredes estão cobertas de graffiti em gatafunhos tipo esparguete enrolado com cores anarquistas de sprays.

Encontro-me com o Parker à porta do Alfaia na esquina da Rua do Diário de Notícias e da Travessa da Queimada. A cadeira de alumínio onde me sento está de tal forma inclinada que me faz escorregar para o espaldar.

Trazem-nos à mesa uma selecção de queijos, presunto e azeitonas. Vale a pena ir a Lisba só para comer queijo de Azeitão. A casca velha, envolta em gaze muçulmana, parece a pele de uma múmia egípcia.

Cortaram-lhe uma tampa na parte de cima e traz uma colherzinha espetada no interior cremoso. É feito numa terra um pouco a Sul, perto da serra e do litoral, a partir de leite de ovelha cru e não pasteurizado, com cardo em vez de coalho.

Barramo-lo como mel em fatias de pão fresco e a sua doce pungência dilata-nos as narinas, forrando-nos o tecto das bocas.

Surge uma travessa roxa de polvo, temperada com um picante suave. O Parker fala-me na escala de Scoville, usada para classificar os picantes. Uma pimenta jalapeno tem cerca de 3.000 pontos e um pimento vermelho zero. O que comemos só perfaz umas duas centenas.

À nossa direita fica a janela da cozinha. Filas de metais contemplam, na nossa direcção, as fotografias desbotadas dos penteados do ano passado na montra do cabeleireiro do outro lado da rua.

O chefe vê-nos e enfia o polegar e o indicador nos olhos de um salmão do mar de nariz atrevido, segurando-o para o podermos ver, abrindo as guelras num sorriso escancarado.

Pedimos peixe. A Caldeira de Peixes do Mar é descrita como "diferentes pedaços de peixe cortados aos bocadinhos e cozinhados em tomate, cebola, alho, vinho branco, pimentos, com batata a acompanhar".

Nacos grosseiros de peixe desconhecido nadam num molho com um sabor rico de ter estado a refogar de um dia para o outro. Para o caso de as batatas amarelas não terem absorvido todos os sabores, há fatias esponjosas de pão no fundo, debaixo dos ossos.

Raspamos a última colher da casca do Azeitão. Entornamos a última gota do vinho tinto. As pedras da calçada parecem mais escorregadias a descer.

09 novembro 2007

Sheiks em Cena no São Luiz

Seguindo a onda revivalista que recupera nomes como José Cid, ou o Quarteto 1111, chega agora a vez dos Sheiks que vão estar uma temporada no Teatro São Luiz a rever a sua carreira. Para sabermos mais nada como bebermos informação no obrigatório blogue, Guedelhudos, do amigo Luís Pinheiro de Almeida, que está a preparar a edição da biografia dos Sheiks:
Os Sheiks iniciaram ontem, às 23H30, nos Jardins de Inverno do Teatro São Luiz, em Lisboa, uma série de 12 espectáculos com a sua carreira gloriosa de 1964 a 1967.

Em palco, os músicos falam entre si e obedecem à encenação histórica de António Feio, contemporâneo da banda.

Como não podia deixar de ser, a peça inicia-se com o primeiro encontro dos músicos e a sua entrada de per si em cena.

Cantam assim, sucessivamente, "Runaway", "Smile", "You´re Sixteen", "Barbara Ann", "Be Bop A Lula", "Missing You"... e o resto é história.

A sério, vale a pena ir ver...

23 outubro 2007

António Pires e AS LENDAS DO QUARTETO 1111


Tenho que começar por confessar que tenho o privilégio de ser amigo de António Pires, um jornalista que me habituei a ler, e que fui admirando ao longo de anos, especialmente no Blitz.
Felizmente tive a oportunidade de o conhecer e ficar amigo dele. É um dos grandes transportadores de histórias, e da História, do jornalismo musical em Portugal. Como tal não admira que não esteja devidamente aproveitado num país que tão mal trata quem tanto sabe, e que idolatra personagens vãs.
Se bem o conheço por esta altura ao ler estas linhas já deve estar todo atrapalhado e contestar tudo isto, porque é um homem tímido, modesto, e que não gosta destes elogios.
Em Sines, no verão passado, contou-me sobre a edição deste livro. Fiquei logo entusiasmado com a ideia de ver documentada uma história de um tempo que não vivi, e que me interessa conhecer. Ainda não li o livro sobre as lendas do Quarteto 1111 mas pelo que tenho lido e ouvido nos espaços justificadamente dedicados a esta edição já deu para perceber que é imperdível.

Hoje assinala-se a edição do livro com uma festa no Musicbox a partir das 22h, e com direito a concerto do Quarteto 1111. Deviamos lá ir todos e dizer obrigado ao António por não cruzar os braços e por nos contemplar com a sua prosa conhecedora. Eu vou.
Espero que a generosidade do António não se fique só por este livro, que venham mais, e que ele continua a actualizar esse blogue de utilidade pública chamado Raízes e Antenas.